You Found Me (fourth chapter)
Author: Vicky D. / Etiquetas: you found meCapítulo 4 – Rick
Capítulo anterior: No aeroporto Jared não responde à grande questão de Nala. Ela desistindo da conversa, segue para casa. À noite depois de descansar, acorda sem ninguém em casa e nessa altura batem-lhe a porta. Para surpresa dela, é Jared, que lhe justifica o comportamento dele e se declara, acabando por beijá-la.
- E ainda amo.
Ao dizer aquilo, colocou uma mão de cada lado do meu rosto. Aproximou-se. Beijou-me.
Sentir aqueles lábios depois de tanto fantasiar, imaginar, desejar foi uma maravilha para o meu corpo, mas não para a minha mente. Estava a deixar-me levar, a aprofundar aquele beijo. Ele pegou a minha cintura. Aí a minha consciência falou. Larga-o rapariga! Ele fez-te sofrer e tu deixas-te levar assim?! Até parece que não aprendeste nada nesse tempo todo… Mas os meus lábios não o queriam largar, era tão bom beijá-lo. As minhas mãos agarraram-lhe o cabelo. Ele pressionou-me contra a parede mais próxima, grudou-se a mim. A minha consciência continuava a falar. Larga-o! Dá-lhe um murro! O meu corpo continuava a agarrá-lo, e foi aí que uma luz acendeu-se. O que fiz a seguir por um lado soube-me lindamente mas por outro tive pena. Levantei a perna e dei-lhe com o joelho mesmo no ponto do meio e com força.
Não foi preciso largá-lo, soltou-me e agachou-se a agarrar as suas bolinhas.
- Auch! Essa doeu!
- Era com essa intenção.
- Não esperava isto. Pensei que recorresses a estaladas ou mesmo murros, mas isto foi um golpe baixo.
- Talvez, mas essa dorzinha que sentes não é metade da que senti este tempo todo. E achas que chegas aqui com esse paleio, beijas-me e fica tudo resolvido? Eu acho que não. Eu sofri bastante. O meu coração está partido aos bocados, por causa de ti. Em Oxford embebedava-me e fazia figurinhas por causa de ti. Derramei litros de lágrimas por causa de ti. E agora quando estou quase a curar, apareces. Precisas de muito mais que disseres que eras um drogado e já estás curado, para eu te perdoar. Ficaste drogado conscientemente, podias ter negado. Mas optaste por continuar. A qualquer altura podes ter uma recaída.
- Eu sei disso. Eu errei e errar é humano. - ao falar disto parecia bastante arrependido - E é por isso que preciso que me apoies, que me perdoes o mínimo que seja. Preciso de ti para não voltar a ser o que era. Preciso de ti ao meu lado, junto a mim, a ser optimista e cheia de alegria. Porque eu amo-te e sei que por mais que não queiras, que tentes negar, que tentes esquecer ainda me amas. Dá-me uma oportunidade. Deixa-me tentar reconquistar-te.
Kiki tinha-me dito para o ouvir e tentar entende-lo. Ela e Roger deram-lhe a oportunidade de falar e de ir com eles até ao aeroporto. Eu também poderia dar-lhe uma oportunidade. Afinal de contas ele tinha razão, eu ainda o amava. Talvez as coisas até dessem certo. Mas ele tinha de lutar por isso. Por mais vontade que tivesse de cair já nos seus braços, de me entregar a ele neste momento, eu tinha se ser forte. E só ceder depois de muito esforço dele.
- Ok. Eu vou dar-te uma oportunidade. Uma oportunidade para me reconquistares, uma oportunidade de mostrares que mudaste. Que ainda tens dentro de ti aquele miúdo espectacular que conheci há 8 anos atrás. Mas se falhares, se cometeres um erro não mínimo, mas um erro sólido que eu veja que o que dizes não é a verdade e que não mudaste. Bem podes pôr-te na alheta, e esquecer-me. Porque eu não quero sofrer mais por ti. E agora o melhor é ires – o olhar dele agora tinha um brilho, que não tinha desde o minuto que o voltei a ver. Dirigi-me à porta e abri-a. – Já ouvi, já entendi, já aceitei. Podes sair.
Ele caminhou para a porta, mas parou à minha frente. Começou a inclinar-se para o meu rosto. Sabendo o que provavelmente iria acontecer, desviei a cara e ele acabou só por me beijar a bochecha.
- Okei. Desculpa. Primeiro reconquistar e mostrar que mudei. Adeus Nala. – saiu – virou-se para trás – Adoro-te – e seguiu caminho.
- Adeus – gritei para que ele ouvisse. E infelizmente também te adoro, disse para mim.
Fechei a porta e encostei-me a ela. Deixe-me cair ao chão. E agora será que fiz bem? Podia tê-lo rejeitado, mandado aos pontapés para a rua, dizer para nunca mais aparecer à minha frente. Mas dei-lhe uma oportunidade, e só espero não me arrepender. Parecia mudado, pelo menos desde a última vez que falei com ele. Porquê agora?? Agora que estava pronta para o esquecer definitivamente. Mas pronto o melhor agora é esperar para ver o que acontece. Levantei-me e fui para a cozinha comer, afinal com esta visita ainda não tinha comido e o meu estômago já me doía. Aqueci o resto de sopa que estava no frigorífico e comi umas salsichas e uns pickles, apesar de estar com fome não me apetecia comer muito mais. Depois de comer tomei um duche rápido, vesti a minha nova amostra de pijama e deitei-me.
De manhã, acordei estafada. A porcaria do sonho voltou. Estava no meio de destroços e só via fumo, olhava ao redor à procura de alguém e não encontrava. Sentia-me abandonada, perdida. Tinha o caos à volta e ninguém para me ajudar. Entrei em pânico. E foi aí que acordei.
Resolvi esquecê-lo, não pensar mais nele. Não queria ficar com uma dor de cabeça, por coisas estúpidas. Desta vez decidi tomar um banho de imersão, sabia que era um desperdício de água e não ajudava a proteger o ambiente, mas uma vez por outra não fazia muito mal e eu estava mesmo a precisar. Comecei a encher a banheira e procurei os sais que a minha irmã costumava usar, depois de encontrá-los meti um bocado para dentro de água. Despi os farrapos que tinha vestidos e emergi para dentro da banheira. Descontraí-me e passado um bocado estava relaxada. Livrei-me de todos os problemas durante um bocado e só sentia a água a rodear-me o corpo. Deixei-me mergulhar até tapar a cabeça de água, e fiquei assim durante uns minutos. Estar ausente de tudo, só eu e o vazio. Sabia tão bem fazer com que parecesse que não existia mais nada.
Passado meia hora, saí do banho. Infelizmente tinha de voltar à vida real. Vesti uns calções e um top. Adorava Miami, andar ao sol, ir à praia. E hoje finalmente voltava a fazer isso. Quando descia para ir para a cozinha, já me vinha o cheiro a waffles. Segui esse odor tão delicioso, o meu estômago já a dar sinal de ansiedade, e para além de um prato cheio de waffles em cima da bancada deparei-me também com a Kiki e o Roger aos amaços.
- Hmm hmm – pigarreei, mas não me ouviram. Resolvi roubar o prato com o meu futuro pequeno-almoço e sair dali antes que a cena avançasse mais longe comigo ali presente. Para ver pornografia tinha a tv e o pc, escusava de ser uma voyeur e assistir ao vivo. Sou tarada, mas por agora não chega a esse nível. Sentei-me no sofá. A cena da cozinha e os pensamentos daí recorrentes fizeram-me lembrar cenas que ocorreram em Oxford.
Flashback
- Hei miúda! Acaba lá o estudo para te vires divertir! – Cly com o seu sotaque escocês, adorava interromper o meu horário de estudo, para me chatear a sair. E não descansava até o conseguir. Depois dos dois primeiros meses com ela como companheira de quarto aprendi a desistir e ceder aos seus caprichos. Até porque se resistisse muito, ela recorria ao seu truque de carinha de Gato das Botas do Shrek e aí não há maneira de dizer não – Vá lá despacha-te! Quero divertir-me à grande hoje!!
- Mas tu não te divertes à grande todas as noites Cly?! Tu e a Yone adoram divertir-se, tirando que a Yo consegue ser pior que tu... – Yone era grega, estava no curso de Designer. Quando cá cheguei fui recebida por ela, a C e mais umas quantas personagens, muitos de diferentes nacionalidades, nós as três tornamo-nos logo nesse dia grandes amigas. E são elas que me têm dado apoio e divertido.
- A Yo é uma alma livre, sonhadora e histérica. Moi ser livre, apaixonada e responsável… - disse aquilo a emoção correspondente a cada palavra. Tive de me rir.
- Lá nisso tens razão… e se vocês são isso eu sou o quê sabes?
- Nana… tu és uma alma livre, tarada e... – fez uma pausa.
- E o quê? Já vem daí porcaria…
- E uma tigresa – rugiu e desatou a rir.
- Não me lembres disso. – mas tinha que admitir que era engraçado e desatei a rir também. (sei que estão à nora, mas a história da tigresa fica para depois) – Bem se queres ir é melhor ser agora, se não volto ao estudo. – fez logo uma cara amuada, o que fez com que me risse mais. De repente, o telemóvel dela começou a tocar.
- Sim? Estamos a sair do quarto. Espera-nos à entrada do campus. – desligou e virou-se para mim. – a Yo está preparada e já vai a caminho. – começou a encaminhar-se para a porta – Bora lá! Levanta daí esse cu!
Não tive outro remédio se não sair do quarto. Caminhamos para a entrada do campus, a nossa residencial não ficava muito longe. Parada, a movimentar-se de um lado para o outro estava alguém muito ansioso, ou já por natureza muito inquieta. Yo mal nos viu a chegar, começou a correr na nossa direcção.
- C!! Nana!!! Estava a ver que nunca mais chegavam! – gritava histérica.
- Yo!! – Gritou Cly.
- Por favor até parece que não se vêem à tempos, viram-se à menos de 4 horas e falaram à 10 minutos por telefone. Que exageradas!
- Nana, sua tigresa, anima-te mais. Acho que precisas de beber um bocadinho. Aposto que tiveste mais recordações inconvenientes e por isso é que estás assim. Então a cura é beber uns copinhos, para esquecer – virou-se para a C e riu-se – ou não! – voltou a virar-se para mim – fazes mais uma conquista e acabas a noite da melhor maneira. – as duas riram-se.
- Sim, talvez…
- Queremos que libertes a nossa taradinha querida. Ah claro, e que te divirtas. – C e as suas indirectas.
- Okei, okei. Vamos lá, antes que desista. – dirigimo-nos para o Ozone, o bar que ficava perto da universidade, e que estava sempre concorrido com o pessoal de lá e essencialmente, gajos podres de bons.
A meio do caminho aconteceu o melhor, tropecei numa pedra e apesar da sorte que tive nos outros tropeções anteriores, neste já não e acabei por me estatelar no chão. Só que antes ainda agarrei a C, e esta caiu para cima de mim. A Yo fartou-se de rir e ao tentar ajudar-nos, desequilibrou-se e caiu também. Estávamos as três no chão.
- Hei meninas! Querem companhia? Apesar de o chão ser um pouco desconfortável. – um gajo começou a gozar connosco. Quando me virei para lhe mostrar uma cara de poucos amigos, não consegui. O que foi que eu disse a bocado? Ah sim, o bar tem sempre gajos podres de bons. Era o caso deste nosso amiguinho. Loiro, olhos azuis, bom corpo, tipo capitão de equipa, nos seus 22 anos. E pormenor, sotaque britânico. Se a minha intenção era ser antipática, foi pelo esgoto abaixo, quando ele me lançou um sorriso digno de estrela de cinema. Quem falou foi a Yo.
- Se tiveres calibre suficiente para nós as três. Estamos sempre dispostas a novas experiências.
Eu e a C escangalhamos a rir. Coitado! O que deve ter ficado a pensar… A resposta dele é que me surpreendeu.
- Tenho calibre que chegue, é só dizerem quando e onde – começou a dirigir-se a nós, que ainda estávamos no chão – mas como sou um cavalheiro – ajudou a Yo e a C a levantarem-se - e não me aproveito de donzelas indefesas e bonitas – disse, quando começou a ajudar-me e piscou-me o olho, a minha reacção? Quando tentei dar um passo, voltei a desequilibrar-me. Mas antes de cair, ele já me estava a agarrar pela cintura. Ah que me dá um ataque cardíaco! Senhor, de onde é que me desencantaste um homem destes?!
Ele soltou-me. E se as minhas amigas não estivessem junto a mim, aposto que não me aguentava de pé.
- Rick. Muito prazer.
- Yone. Clydie. E Nala. – apresentou-nos a C, apontando respectivamente cada uma.
- Aonde se dirigiam as meninas?
- Vamos para o Ozone, a noite espera-nos. – disse Yo.
- Não duvido disso. Eu também vou para lá, posso acompanhar-vos? – olhámos umas para as outras, elas duas lançaram-me olhares matreiros e safados, e eu lancei um “porque não?”. Afinal não é todos os dias que encontramos um gajo destes.
- Claro. – disse eu – É sempre bom termos alguém que nos proteja, não se sabe o que anda por aí. – ele riu-se.
Seguimos os 4 para o bar. Quando lá chegamos pedimos umas bebidas, sempre com álcool de preferência. Rick apresentou-nos a uns amigos que já lá estavam. A noite decorreu com muita conversa, dança e copos a mistura. Eu e Rick conversamos bastante, até que chegou a uma altura que bastante bêbedos e com conversa de treta, acabamos por ir para o quarto dele.
Arrastou-me para fora do bar com uma urgência, quase que não aguentávamos chegar ao quarto, afinal não era só ele que estava com pressa. Chegamos ao quarto num ápice. Os beijos dele eram doces mas ao mesmo tempo urgentes. Viciavam. As mãos dele vigiavam pelo meu corpo fazendo um percurso de exploração. Agarrei-lhe os cabelos, puxando-o mais para mim. Agarrou-me ao colo e enlacei as pernas ao redor da cintura dele. Levou-me para a cama e deitou-me. Os seus lábios carnudos nunca largavam os meus, a sua língua explorava por completo a minha boca. Despiu-me a camisola. E dirigiu os seus lábios para o meu maxilar, pescoço, peito, mordiscava, lambia, beijava. Aquilo estava-me a deixar em brasa. Puxei-lhe a camisola pelos braços e atirei-a para cascos. Passei as mãos pelo seu tronco, sentindo os seus abdominais, a maciez da sua pele. Ele começou a massajar um dos meus seios. Gemi. Comecei a desabotoar-lhe as calças e ele ajudou-me a tirá-las. O volume dentro dos boxers estava bem alto. Uh! Parece que temos um bom conteúdo aqui! Consciência, isto não é altura para falares, não estragues o momento. Tirou-me o soutien e com uma mão massajava um seio, enquanto a boca e a língua trabalhavam o mamilo do outro. Eu gemia, puxava-lhe os cabelos, estava bastante molhada e à espera que ele me possuísse. Como se me lesse os pensamentos, largou os meus seios e começou a descer, a fazer trilhos pela barriga, ventre. Tirou-me as calças, tão depressa que nem me apercebi, só sei que num momento para o outro estava nua. A boca dele continuou a descer até que senti a sua língua invadir-me. Gemi. O seu polegar fazia pressão no meu clítoris, e a língua fazia movimentos dentro de mim. Não passou muito mais, até eu vir na boca dele. Levantou-se, também já sem boxers, eu ainda estava estafada.
- Tens um óptimo gosto. – eu só abanei a cabeça, olhei para ele inteiro. Wow, o conteúdo é bem grande .O membro dele era bem apelativo e estava bem levantado à minha espera. Ao ver-me a olhar, sorriu e posicionou-se no meio das minhas pernas. Voltou a atacar o meu pescoço e penetrou-me. Ao inicio, não se moveu muito para me habituar ao seu tamanho. Até que começou a fazer movimentos de ir e vir lentos. Eu precisava de mais, mais rápido, mais forte.
- Oh sim! Mais! Mais forte! – tal como me mandei ele fez, começou a estucar mais a fundo e mais rápido. Movia-se cada vez mais rápido, chegou até a ser bruto. Eu só gemia, gritava, pedia mais. A cama movia-se ao nosso ritmo. Até chegar ao ápice, eu vim primeiro mas ele veio logo a seguir. Estafados, caímos os dois na cama e adormecemos.
Fim do Flashback
- Hei Leoa! Pareces um tomate! O que é que andas a pensar? – recompus-me, lembrar-me disto fazia o meu corpo reagir de várias maneiras e respondi à minha irmã.
- Nada de interessante. Espero que tenham desinfectado a bancada da cozinha. Tiveram sorte em as crianças estarem na escola e ter sido eu a entrar naquela cozinha. Não sei até onde chegaram, não quis ver mais do que vi. Trouxe os waffles e vim para aqui comer. E comecei a lembrar-me de cenas em Oxford
- Hmm, fizeste bem. Mas nós não chegamos a onde estás a pensar, não te preocupes. Pelo menos não chegámos agora. Porque aquela cozinha tem que falar…
- Ewww! Não quero saber!
Ela riu-se e subiu para os quartos. Nesse momento recebi a musica Tik Tok começou a tocar. Olhei para o visor do telemóvel e vi um número. Infelizmente, sabia perfeitamente de quem era. Podia tê-lo apagado, mas não me conseguia esquecer. Abri a mensagem e li.
Ola! Vem ter comigo às 13h30 no jardim onde costumávamos ir. Dirigi-te ao banco do costume (espero que te lembres) e dá 20 passos em direcção a Este.bjinho
Numa coisa não mudou. Continua a usar mensagens em vês de chamadas. Mas pronto. E agora vou ou não vou?
You Found Me (third chapter)
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Capitulo 3 - Conversa
Capítulo anterior: Quando Nala chega ao aeroporto de Miami, a surpresa que lhe espera é Jared, o seu ex-melhor amigo e a sua ex-paixão, voltar a vê-lo traz-lhe recordações de tempos passados. Aí confronta-o com a questão que sempre lhe esteve entalada.
- Ou respondes agora ou vou-me embora! Estás a desperdiçar o meu tempo! – que má. Vi passar pelo seu olhar a tristeza que ele transmitiu antes.
- Bem… é que… - ele começou.
- Sim? Mais rápido please!
- Eu… Eu senti a tua falta! – fiquei boquiaberta.
- A sério? Jared, por favor poupa-me! Nunca foste de sentir nada! Nem de te dares ao trabalho de sentir! – já que comecei, acabo – Eu não sou, nem fui importante para ti. Não passei de mais uma miúda a quem davas conversa. Pelo menos para o final, porque gosto de acreditar que no inicio antes de te mudares não era assim – ele abriu e fechou a boca, por um momento parecia o Jackson Rathbone no filme Twilight, o sofredor – Ou será que também era? – questionei-o, olhou-me surpreso e calei-me à espera que disse algo.
- Não, não era… - respondeu e calou-se. Passados 2 minutos nada.
- Olha o tempo que estou aqui à espera que fales, podia estar a matar saudades da minha família. Se te queres justificar sabes onde moro, isto não é conversa para entreter turistas. – olhei para o grupinho de pessoas que se estava a formar, devo ter falado alto demais – se não quiseres, não te incomodes a ir lá! Já saíste da minha vida há muito tempo – olhei para ele uma última vez antes de lhe virar costas e segui, não querendo saber da sua expressão.
- Hoje não vão fotografar nenhum final romântico! Dispersar!!! Bando de abéculas… – vi o Roger com as minhas malas na mão, a andar à frente da Kiki e a gritar com a multidão. Tive de me rir.
- Leoa estás bem? – a minha irmã veio para o meu lado.
- Sim, estou kiki. Estou mais leve! Agora vamos. – e seguimos para fora daquele lugar onde deixei partes do meu coração, de repente lembrei-me – Kiki com isto até me esqueci… O Andrew? – Andrew era a mais nova aquisição da família Dempsey, agora com 4 meses. Ainda não o tinha visto pessoalmente, só por fotos, era um bebé tão lindo. Mais uma mistura perfeita dos coelhos Kiki e Roger.
- Ele ficou com a ama. Quando chegarmos vais conhecê-lo.
- Sim e depois ainda temos de ter uma conversinha. – disse, lembrando-me da personagem, lágrimas vieram-me aos olhos. Não miúda! Se vais chorar, faz isso quando estiveres na cama! Sê forte!
- Eu sei. – respondeu Kiki, chegamos ao estacionamento e entramos para o novo monovolume.
- Novo?? – estava espantada, aquele era muito melhor do velho, e muito maior…
- Teve que ser a família está a crescer. – respondeu-me Roger – e como o negócio está a ir bem, não custou muito.
- Vocês tão a pensar em fazê-la crescer mais? Ou a parar por aqui? Porque se não tenho de ir investigar se foram experiências de algum laboratório que esteja a tentar que a espécie humana não se extinga. – ri-me com a parvoíce que disse, e eles juntaram-se.
- Ainda não pensamos se havemos de parar ou não. Não é mor?
- Sim. Agora entra, daqui pouco tenho a Keisha a telefonar-me a gritar que o Andrew lhe vomitou em cima ou rasgou-lhe a camisola. – não entendi o que a Kiki disse, e lancei um olhar de interrogação a Roger.
- Nova ama – sussurrou-me. Entrei no carro, e sentei-me nos bancos de trás junto com Jasmin e Fred, Dawn e os gémeos no meio, Kiki foi para o lado do pendura e o Roger fez de motorista.
Chegámos a casa era hora de almoço, sinceramente estava a morrer de fome. Comida de avião não é grande coisa, só abre um maior buraco no estômago. Quando entrei novamente naquela casa, senti-me outra vez uma adolescente. Percorri a entrada com o olhar, não vi grandes diferenças, só vasos e quadros. Quando entrei na sala, sorri feliz. Tinha um grande cartaz pendurado ao pé da janela a dizer “Bem-vinda Leoa” e com fotos dos elementos todos da família à volta da frase… Não resisti e desatei a chorar. Muitas destas lágrimas eram da surpresa que eles me fizeram, mas as restantes eram causadas pelo ferimento no meu peito. Larguei as malas e todos vieram abraçar-me.
- Como senti a vossa falta! – choraminguei.
- Nós também leozinha. – soltamo-nos quando alguém pigarreou. Olhei e vi que era uma jovem rapariga nos seus 20 anos, e segurava um pequeno ser humano.
- Este deve ser o pequeno Andrew! – dirigi-me a eles. – Olá, sou a Nala! Irmã da Christina.
- Keisha! – apresentou-se a rapariga – e este é o Andrew, como disseste. – ela parecia simpática, acho que nos daremos bem.
- Posso pegar-lhe?
- Claro!
Agarrei o pequeno ao colo, sempre peguei nos meus sobrinhos, mas fazia tanto tempo que não agarrava numa criança, que estava com medo de o aleijar.
- Leoa, não tenhas medo. Não o vais deixar cair, isso não se esquece. – Roger sempre animador.
Depois de brincar um bocado com Andrew e matar saudades do resto da criançada, fui arrumar as malas. O meu quarto estava igual, posters dos Rolling Stones, Muse, Mettalica, Titanic, Pocahontas, Brad Pitt, e mais uns quantos, pendurados pelas paredes, colcha e almofada do Mickey, secretária junto à janela, nada mudou de lugar. Abri as malas e virei-as para cima da cama, dividi a roupa para lavar da lavada, arrumei os livros que tinha levado e os que arranjei por lá, mais os DVDs nas estantes, pendurei a mala de mão na porta, e fui a casa de banho deixar os meus produtos de higiene. A casa era grande. Tinha 5 quartos, 3 casa de banhos, sendo uma no quarto do casalinho, a sala era grande, tal como a cozinha, um escritório e por fim a garagem. Ah, e claro a piscina, casa em Miami sem piscina não é casa.
Acabando a arrumação, dirigi-me à cozinha para comer. Só lá estava a Kiki.
- O resto do pessoal?
- O Roger foi tratar de uns assuntos à empresa, mandei a Keisha para casa, a Jasmin e o Fred foram a casa de uns amigos, o andrew está a dormir e o resto está no jardim a brincar.
- Hmm – foi só o que respondi. Mas depois lembrei-me do assunto pendente – Temos algo para esclarecer. Porque raio é que disseste ao Jared que eu chegava hoje e o deixaste ir ao aeroporto?
- Bem, acho que tive pena dele. Eu não te vou contar o que aconteceu, sem antes ele falar contigo. Para entenderes é melhor ouvires a versão dele, depois digo-te o porquê de eu e o Roger o termos levado connosco.
- Eu não sei… Acho que a próxima vez que o vir, a vontade que terei é de lhe dar porrada.
- Sim, talvez, eu admirei-me de não teres feito isso no aeroporto.
- Foi necessário bastante controlo, cheguei a imaginar os seguranças a carregarem-me por não parar de o agredir. – ela riu-se.
- Ouve o rapaz, Nala. Ele vai vir cá e vai-te explicar.
- Não sei se virá. Ele não parece ter mudado e para resolver situações destas foi sempre um cobarde. Tu viste como ele se retraiu, ia para falar e não falou, acobardou-se. E mesmo que venha, não sei se o perdoarei. Eu sofri, e ainda sofro Kiki.
- Pois, não sei… Se ele vier, faz o que for melhor para ti Leoa. Só te quero ver feliz. Quero que sejas a minha forte e corajosa leoa, como sempre foste e como sempre sei que serás.
- Estás a ficar lamechas Kiki! O Roger anda a deixar-te mole… Tenho de lhe dizer para mudar a forma como te dá uso – deu-me um carolo na cabeça. – Au!!
- Estou a ver que essa mente tarada não mudou!
- Mudou sis, mudou para pior!! – ri-me e ela juntou-se. Passamos uns 15 minutos na gargalhada, sem precisar de dizer mais nenhuma parvoíce, era como quando éramos crianças, bastava olhar uma para a outra e começávamos a rir.
Ela abraçou-me quando o riso começou a passar e ficamos assim as duas. Éramos o apoio uma da outra, o quer que nos acontecesse, sabíamos que nos tínhamos uma à outra no final. Sempre.
- Bem Kiki, estou cansada. Vou dormir uma soneca.
- Vai. Descansa. Que bem precisas. – beijou-me a testa e largou-me. – Até logo Leoa.
- Até logo Kiki – dirigi-me ao meu quarto e deitei-me sem mudar sequer de roupa. Voltar a sentir a maciez e o cheiro da minha cama, foi o que bastou para a escuridão atingir rapidamente a minha mente.
Dei por mim num sítio desconhecido, a trás tinha uma floresta com grandes árvores e à frente, um pouco, longe tinha o mar. Parecia o paraíso, uma ilha deserta. Fechei para inspirar o ar. Mas quando inspirei só senti fumo. Olhei novamente à minha volta e só vi fumo, fogo. Passado um bocado consegui começar a distinguir vultos. Começo a ver destroços, parecem destroços de avião, ouço pessoas a gritar. Ao fundo, distingo um vulto deitado no chão que me é familiar, tento aproximar para ver se está morto, mas parece que cada vez está mais longe. À medida, que a distingui bem a silhueta do vulto, o meu coração começou a acelerar. Mas… aquela sou eu.
Acordei com um grito. Foi só um sonho. Só um sonho. Mas que estúpido sonho para se ter, oh totó! Obrigada pela simpatia consciência. Desci da cama e dirigi-me à casa de banho para lavar o rosto. Já tive muitos sonhos estranhos na minha vida, mas sem dúvida que este foi o mais esquisito e estranho de todos.
Olhei para as horas e já passavam das 8 da noite. Dormiste bem rapariga. Decidi ir comer qualquer coisa. Ao descer as escadas começo a reparar que a casa estava muito silenciosa.
- Kiki? Roger? – ninguém respondeu – Mas onde é que terão ido todos?
Fui até à cozinha e no frigorífico estava um post-it.
Leoa, fomos jantar fora. Estavas tão pacífica a dormir que não te quis acordar. Se quiseres comer à restos no frigorifico. Se precisares de alguma coisa é só telefonares. Bjinhos Kiki
- Bem, vou passar a noite sozinha.
Quando vou a abrir o frigorifico, a campainha toca.
- Quem é que será agora? – fui andando para a porta, a resmungar com os meus botões.
Tão depressa como a abri, fechei. Calma Nala. Lembra-te do que a tua irmã disse. Ouve-o. Inspirei fundo e voltei a abrir a porta. Mas o que fiz a seguir soube-me lindamente. Trass. Chapada bem dada na cara. Aposto que ficou marca. E fiquei ainda mais leve.
- Devia ter feito isso no aeroporto, mas estávamos em público. – dei espaço para ele entrar e fechei a porta.
- Bem, acho que merecia isto.
- Achas? Eu cá tinha a certeza… Vieste aqui para falar, não foi? Estou a ouvir.
- Sim, vim. – seguiu para sala. – Eu queria… Eu vim cá pedir-te desculpas. Por não ter ido, por não ser o melhor amigo que devia ter sido, por te fazer pensar que apenas eras mais uma miúda, o que não eras. Não só no início, mas como sempre. Eras a minha mana, a minha confidente, a minha maior amiga. Quando deixaste de me falar… Antes disso, quando deixaste de me tratar por mano e raramente tinhas tempo para conversar, eu comecei a sentir-me triste, vazio, não entendi porquê, então não liguei. Segui com a minha vida, como sempre fiz, só que com uma diferença, tu não estavas lá para me ajudar, para me dar apoio. Sempre que precisava de alguma coisa, tu estavas sempre disponível, eu acordava-te e não te importavas, em qualquer hora, mesmo ocupada com as aulas, o volei, o clube de campismo, na biblioteca, em qualquer lado. Eu precisava, tu davas. Paravas o que estavas a fazer para me explicar o que quer que fosse, lembro-me que punhas o altifalante quando estavas a arrumar, só porque se parasses a limpeza não continuavas e levavas da cabeça da tua irmã. – as lágrimas vieram-me aos olhos, ele lembrava-se das minhas ocupações, do que eu fazia – Tinhas sempre um sorriso, uma palavra de conforto, sem precisar de saber o que aconteceu.
- Sim. E depois? Era parvinha, não via nada há frente. Desculpa continua... – ele começou a andar pelo espaço e a ver fotos, da minha infância, adolescência, sozinha, acompanhada.
- Eras a rapariga mais alegre que conhecia, nunca estavas em baixo, ou pelo menos não deixavas transparecer isso, sempre pronta para o que fosse, correr, passear, tudo e mais alguma coisa. Lembro-me que levavas sempre a câmara atrás, adoravas filmar o que fazíamos, a natureza, as pessoas… Eras a alegria em pessoa, lutavas pelo que querias e conseguias. Só que eu fui estúpido. Fiquei tão chateado com a mudança, que não quis saber de nada, nem de ti. Deixei-me influenciar pelas pessoas que conheci lá e principalmente pela Anne, a fofinha. Comecei a experimentar cenas novas, bebidas, drogas. Nunca te contei, porque sabia que apanhavas uma grande desilusão e depois chateavas-me, e eu não estava para isso. Estava na minha, nada nem ninguém me impediam de fazer o quer que fosse. Drogava-me bastante, embebedava-me quase todas as noites e pensei que estava apaixonado pela Anne. Cheguei a dizer-te isso. Até te cheguei a dizer onde chegámos.
- Eu lembro-me perfeitamente disso. Não é todos os dias que uma rapariga decide declarar-se ao rapaz de que gosta e apanha um desgosto. – olhou-me com uma cara incógnita – Sim, eu ia para me declarar a ti no encontro a seguir a teres enviado a mensagem. Mas não o fiz. Para que o faria? Para me humilhar, e já estava humilhada o suficiente. Era eu que começava todas as nossas conversas, era eu que chorava todas as noites, era eu que enquanto te embebedavas suspirava por ti, por uma paixão não correspondida. Mas não me importei, tinha-te como amigo e isso bastava. Mas quando me fui embora e tu não apareceste para te despedires, entendi que nem isso eras. Foi por isso que comecei a ignorar-te, a não falar contigo, a arranjar desculpas. Queria seguir em frente, esquecer-te. Eu não te amava como um irmão, e nem como irmão devia ficar a amar-te. Porque a única coisa que recebi de ti foi sofrimento. – aproximou-se de mim e colocou um dedo nos meus lábios para me calar.
- Se há algo de que me arrependo bastante na minha vida, foi o que fiz no dia em que partiste. Eu queria ter ido ao aeroporto, queria-me despedir, não te ia ver durante um longo tempo e isso deixou-me de rastos. Ia ficar sem a minha mana. Mas sempre odiei despedidas. Então nessa noite embebedei-me, não me lembro muito bem do que aconteceu depois, sei que acordei em casa da Anne, ou melhor na cama dela. Estava com uma enorme dor de cabeça e não raciocinava devidamente. Ela deu-me um comprimido que devia diminuir a dor de cabeça. Mas o efeito não era esse. Aquilo era droga. Eu era um drogado e não resistia. Tomei mais uns quantos comprimidos daqueles, e mocados como estávamos acabamos a tarde juntos novamente. Disse-te que não ia aeroporto. E sei que isso te fez sofrer. E só entendi o que fiz quando no dia seguinte, no msn chamaste-me J e me despachaste. Aí eu comecei a sentir o vazio e a tristeza. E só quando deixaste de me falar e seguiste a tua vida é que entendi algo. E com isso passei dois anos na reabilitação, um a organizar a minha vida e outro à tua espera. Porque o que entendi é que precisava de ti. De ti ao meu lado, novamente na minha vida, não como uma irmã, não como melhor amiga, mas como isso tudo junto. Precisava de ti, porque amava-te. E ainda amo.
Ao dizer aquilo, colocou uma mão de cada lado do meu rosto.
Aproximou-se.
Beijou-me.
Porque é que o amor fica cá dentro com as pessoas erradas, e com as pessoas que deviam ser as certas foge a sete pés?!
Porque é que o meu coração escolhe aqueles que não me merecem e mal trata os pobres coitados que me vêm como algo especial?!
Porque é que me magoo ao ver a escolha do meu coração já conquistada por outra ou quando não se apercebe que existo?!
Porque é que às vezes me sinto usada por quem adoro ou faço uso de quem me adora?!
Porque é que a minha alma escolhe aqueles que o meu coração não quer só para esquecer os outros que ele escolheu mas que não me querem?! eu que não gosto de fazer uso das pessoas!!!!!!!!!
Porque é que não se pode ser feliz sem magoar alguém ou sem nos magoar-mos a nós próprios?!
Porque é que as desilusões chegam facilmente mas depois não se superam tão facilmente?!
Porque é que é difícil arranjar a pessoa certa sem problemas?!
Porque é que alguns não vêm o que está a frente dos olhos sem dificultar a vida deles próprios e dos outros?!
Porque é que é tão difícil dizer-se o que se sente?!
Porque é que me fazem sofrer ou sentir inútil ou de parte?!
Porque é que me iludo tão depressa como um relâmpago que atinge a Terra?!
Porque é que não consigo ter uma parte da vida normal?!
Porque é que maior parte dos sonhos não passam de ilusão?!
Porque é que o amor e o decorrer da vida são injustos?!
Porque é que queremos sempre dar justificação a tudo?!
Porque é que nem tudo tem explicação?!
Frase do dia
Author: Vicky D. / Etiquetas: frase do dia"A noite é a outra metade da vida. A melhor metade. "
Goethe


