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You Found Me (capa)

Author: Vicky D. / Etiquetas: ,

Um wallpaper que fiz como capa para a minha históriazinha. :)

You Found Me (eighth chapter - part 2)

Author: Vicky D. / Etiquetas:

Capítulo 8 – Outra forma de ver (Parte 2)
Metemo-nos a jogar um jogo de corridas de carros. O puto está-me a dar uma abada, não pode!
- Vai passear, Derek! - pumb! E lá vai porta… Esta família tem um problema de controlo de força em momentos de raiva.
- Jasmin! ouviu-se do lado de fora da casa… Passados uns segundos Nala apareceu à entrada da cozinha - Vou ver o que se passa. Jasmin? – e subiu as escadas. Tlim Tlim - e a campainha tocou. Isto está bastante agitado por estas bandas…
E agora o que faço? Fico aqui ou abro a porta?

- Isto acontece muitas vezes. – John falou algo que não entendi.

- O quê puto?
- A Jasmin e o namorado chateiam-se, ela grita com ele, algumas vezes ele também grita, ela fecha-lhe a porta na cara e vai chorar para o quarto. No dia a seguir já estão bem.
- Então quem está à porta é ele?
- É possível. Ele costuma demorar a ir-se embora. De vez em quando toca à campainha para fazer as pazes mais cedo.Tlim Tlim Tlim Tlim
- Bem talvez seja melhor abrir-lhe a porta. Não saias daqui. – dirigi-me à porta e abri-a. Um matulão, um pouco mais baixo que eu, com estilo de capitão de equipa, analisava-me do lado de fora. Ao contrário da tia, Jasmin andava com um gajo da equipa do liceu. Era irónico. O que Roger pensará disto?
- Queria falar com a Jasmin.
- Acho que não é a melhor altura.
- E quem és tu?
– hmm, desconfiado.
- Jared. Muito prazer. – e estendi-lhe a mão. Ele apertou-a.
- Derek. Tu não moras aqui. – era uma afirmação, não uma pergunta. Devia estar a analisar se andava de olho na miúda dele. Afinal, ele devia de rondar os 18, eu apenas tinha 5 a mais. Mas acho que não faço o estilo da Jasmin. Acho que já nem o da tia faço, quanto fará. ­
- Não. Sou…
- o que é que eu sou? Já fui melhor amigo, agora não sei – um amigo da tia dela.
- Jared?
­– Nala apareceu atrás de mim – deixa estar que eu resolvo. Leva os gémeos para a cozinha se faz favor. O jantar está praticamente pronto.
- Hm, okei!
– é melhor não contrariar, está com cara de poucos amigos. Fui chamar os putos. Mas gostava de saber o que é que se passava. Será que ele passou dos limites desta vez? Bem, é melhor esquecer. Se a Nala quiser conta-te. Ou não. Vocês já não têm a mesma relação que tinham há 7 anos, lembras-te?! Pois. É melhor concentrar-me nos meus problemas. – Ei puto. Guarda o jogo, depois continuamos. A tua tia mandou-nos para a cozinha. Anda Anastacia. – para irmos para a cozinha tivemos de passar pelo hall, Nala já não estava à entrada, a porta estava encostada. A curiosidade foi mais forte e abri um pouco da porta. Espreitei lá para fora e vi o matulão de braços cruzados e Nala a falar com uma cara furiosa, estava a controlar-se para não gritar. Voltei a encostar a porta, se ela me visse podia perder o controlo. Fiquei sozinho com os gémeos na cozinha. Era um pouco esquisito e constrangedor ter duas crianças a olhar-me fixamente
.
- Bem… então andam na primária né? – que conversa é que se tem com cachopos de 6 anos? Não sei.
- Hmm hmm. – confirmou o Johnny.
- Entrámos este ano.
- É bem.
– Nala estava a demorar
-se. Fora que a fome também já estava a apertar e o cheiro que pairava era bastante bom. – Então… e… hmm – pensa nalguma coisa para dizer. – Que filmes é que gostam? – boa filmes… tas mesmo mal… crianças de 6 anos só vêm bonecos.
- Eu gosto da Cinderela, A Bela e o Monstro, A Bela Adormecida, Wall.e, Bolt… e muitos mais…
- E tu John?
- Eu gosto mais do filme dos Pokemon, o Shrek, o Panda do Kung Fu, também gosto do Papuça e Dentuça e do Rei Leão e mais uns quantos… Mas prefiro animes. Dragonball, Pokemon, Naruto, Yu-gi-oh…
- Estou a perceber. Tu és parecida com a tua tia, Anastacia. Quando eu a conheci ela adorava os desenhos da Disney. Agora não sei…
- acho que ela não mudou assim tanto, mas 6 anos é muito tempo. Os gostos das pessoas costumam mudar, a maneira de pensar, a forma como se vive. Seria normal que Nala já não idolatrasse a Disney como antigamente. Mas não sei, já não a conheço como conhecia… Acho que também nunca a cheguei a conhecer completamente. Sabia os gostos dela, pelo menos maioria – ela era capaz de surpreender algumas vezes, era capaz de adivinhar a sua rotina, mas em termos de sentimentos era indecifrável. Tenho quase a certeza que muita da alegria que transmitia era uma máscara, uma camuflagem para o que realmente sentia. Algo que ela precisava de fazer para perceberem que estava bem, que tinha ultrapassado o passado. Assisti a algumas recaídas, alturas de quase depressão, em que chorava, enrolava-se numa bola, culpava-se do que tinha acontecido, envolvia-se numa tristeza bastante profunda. Deixava uma pessoa sem capacidades de reacção, sem saber o que fazer para a ajudar. Mas ela era forte e conseguia lutar contra tudo, pondo um sorriso no final. Acabei por nunca a conseguir entender, contudo ela tornava-se algumas vezes transparente. Apesar da camuflagem que usava e nunca transparecer tristeza, depressão e dor. Pânico, preocupação e fúria era sentimentos que lhe conseguia interpretar bem. ­
- Assunto resolvido. Bem, em parte.
– apesar de tudo a força dela era inquebrável, e fosse o que fosse que tenha acontecido lá fora e com a Jasmin, apareceu aqui com um sorriso na cara – Vamos jantar? Cálculo que estejam com fome. – dirigiu-se ao fogão. Nunca reparei como ficava sexy a fazer comida… Jared, não sigas esse caminho de pensamentos! Pelo menos não com crianças ao pé. – Vou só levar a comida à Jasmin, que ela não quer comer, e buscar os mais canitos. Volto já, já! – e voltou a sair. Tão depressa como entrou, saiu. Como sempre. Rápida em tudo que faz.
- Bem, ainda não é hoje que comemos. Hehe…
- Ah, já estamos habituados. O papá muitas vezes chega tarde e quando é o jantar de família temos de esperar por ele. Quando o Drew chora também demoramos para jantar.
- Ou quando a Jasmin se chateia com Drek, como hoje, alguém tem que ir falar com ela. Então demoramos para jantar.
- Nesta casa não existem horários. Praticamente só temos hora fixa para sair.
– Nala entrou na cozinha com Andrew ao colo – Eu agora nem para sair tenho. Só quem trabalha e tem aulas é que tem. – sorriu. O meu coração sofreu mais um baque. Colocou Andrew na cadeirinha. – O Fred vai ficar em casa de um amigo, a Kiki está na reunião e o Roger vai lá ter, por isso eles não voltam hoje. Então somos só nós 6.
- Mais sobra para mim.
- O teu grande apetite não mudou nada?
- Mudou, ficou maior.
– ela riu-se.
- Então ainda bem que fiz comida para um batalhão, porque aí os gémeos parecem crias de urso.
- Então, vais dizer o que é a tua especialidade actual ou vou ter que descobrir?
– lançou-me o seu sorriso doce. Há tanto tempo que não via aquele sorriso. O sorriso que a faz parecer uma menina. Aproximou-se da bancada.
- Tchana! Apresento-vos… - colocou uma travessa em cima da mesa Massa à bolonhesa… de la tigresa. – Tigresa? - Não perguntes. O nome foi dado pelo pessoal. – nem cheguei a fazer a pergunta verbalmente, acho que a cara de confusão explicou tudo, ou melhor, é a Nala. Já me tinha desabituado à forma como interpreta as pessoas.
- Mas o rolo de carne continua a ser uma especialidade tua né?
– quando comi pela primeira vez o rolo de carne que ela faz, juro que fui ao céu e vim. Nenhum que tenha comido até aquela altura, e que comi até agora se compara aquele rolo de carne.
.

Flashback
- Hei tolo! -
Nala apareceu vinda do cacifo.
- Olha a leoazinha! – de repente ficou tensa.
- Já te pedi para não me chamares isso.
- Pois, desculpa.
- Estás sempre a pedir desculpa. Desculpas não se pedem, evitam-se.
– lançou-me o seu sorriso doce e eu sorri de volta – Bem, queria perguntar-te, se queres ir jantar lá a casa? É a especialidade da casa. Supostamente jantamos todos hoje e ofereci-me para cozinhar.
- E a especialidade é tua mesmo?
- Bem, é a minha especialidade, mas também é a da minha irmã. Digamos que é uma receita de família. A Kiki ainda chegou a aprender com a minha mãe, eu não tive essa oportunidade.
– a tristeza começou a apoderar-se dela, mas de repente voltou a ficar alegre – Então aprendi com a Kiki. Sou a aprendiz de cozinha dela. As primeiras refeições que aprendi foram as receitas de família. Ou melhor as receitas modificadas pela família, porque se formos a ver são coisas normais apenas têm algumas características a mais ou diferentes.
- Hmm…
- Vais?
– fez uma cara de cachorrinho abandonado - Vá lá! – quem é que podia dizer não aquela carinha? Bem até que podia não ir, mas conhecendo-a já o pouco que a conheço ela vingar-se-ia de alguma forma.
- Claro…
- Yay! 

- É só deixares-me ligar para a morgue a avisar que é provável que lá apareça hoje como cliente…
- Ahah que engraçadinho… -.- Só por causa disso devia de envenenar o teu prato muahahahaha
- Naaaa… Não eras capaz de fazer isso.
- Tens a certeza?
– fez um olhar de “não fales do que não sabes” e virou-me costas, seguindo caminho.
- Nala! Estavas a gozar né?
– ela parou, virou-se e fez um movimento de ombros, voltou a seguir caminho e começou a rir-se, corri atrás dela – Sabes que eu estava a brincar maninha, de certeza que vou amar a comida que fazes.
- Sim claro, o que vale é que só sabes brincar…
- Vá, não fiques chateada. És a melhor maninha do mundo. E sinto-me lisonjeado por me convidares a ir jantar a tua casa comida feita por ti.
- Seu graxista!
- Não é graxa, é verdade.
- Sim, sim. Engana a pobrezinha… Graxista! Vou-te buscar por volta das 8... da noite! Tenho de ir para aula.
– começou a caminhar em direcção à sua sala.
- És a mana mais linda de Miami!
- ela riu-se, continuando a andar.
- Graxista! – gritou de costas para mim – Ei Maggie! – e seguiu para a aula. Fiz o mesmo e fui para a minha. Hora da sesta!


Segui logo para casa no fim das aulas. Cheguei e como sempre… Ninguém em casa. A minha irmã devia estar em casa do namorado, a minha madrasta a esbanjar o dinheiro que o meu pai estava a ganhar neste momento. Fui directamente para o meu quarto. Atirei a mochila para um canto do quarto, despi-me e fui tomar um duche. A água fresca serviu para me refrescar, para reflectir… Era como se tivesse a extrair todas as impurezas presentes em mim. Fechei os olhos e deixei a água escorrer. Perdi a noção do tempo, pois quando dei por mim a campainha estava a tocar. E tocava, e tocava… Fosse quem fosse estava impaciente. Desliguei a água, saí e enrolei uma toalha à volta da cintura.
- Já vai! – e a campainha continuava a tocar – Aguentem os cavalos, porra! – lá cheguei à porta e quando a abri ­– Nala? Já? Ainda não são 8, pois não? – olhou para mim com um ar um pouco desnorteado, mas depois o quer que estava a pensar antes voltou-lhe à cabeça.
- Desculpa vir assim… Uma hora mais cedo… - olhei bem para ela e reparei que estava a tremer e praticamente quase a chorar.
- O que aconteceu? Estás a tremer!
– todo o controlo que ela estava a ter até ao momento, transformou-se em pó, agarrou-se a mim com uma intensidade e desabou a chorar – Baixinha! Está tudo bem, acalma-te. Anda sentar-te. – levei-a para a sala. – Senta-te e deixa-te estar aí, enquanto eu vou vestir qualquer coisa e buscar-te um copo de água. – sentei-a no sofá e fui ao quarto. Vesti a primeira roupa que encontrei e fui à cozinha preparar um copo de água com açúcar. Quando voltei à sala, Nala estava enroscada numa bola. Encolhida no sofá a balançar-se para a frente e para trás. – Toma. Bebe.
- Ob.. obrigada.
– continuava a tremer e com lágrimas dos olhos. Decidi sentar-me ao seu lado e esperar que se acalma-se. Passado um bocado já parecia mais calma.
- Queres contar-me o que aconteceu? – perguntei. Ela pareceu ponderar, debater-se se havia de falar ou não.
- Ah. Não é nada de especial… - engoliu em seco – apenas eu e a minha mania das perseguições. Tenho de deixar de ver tantos filmes. – e mostrou um pequeno sorriso.
- Tens a certeza? Não parecia só uma mania. – na realidade mais parecia um grande ataque de pânico, como se um bicho de sete cabeças tivesse atrás dela… 

- Acredita é uma mania. A minha mente muito produtiva.
- Bem, ok. Sabes que se quiseres contar-me algo, estás à vontade…
- Sim, claro. Eu sei.
– Pareceu que estava a ponderar, mas nada disse. A sua face suavizou. – Bem, desculpa por aparecer assim tão cedo… Se quiseres posso… - levantou-se e olhou pela janela ­– sair e voltar mesmo às oito. – aquilo apanhou-me desprevenido, bem a situação toda apanhou.
- Hmm, não. Deixa-te estar.
- Não, a sério. Ainda tenho de acabar umas compras.
– parecia determinada, contudo notava-se uma pequena hesitação. Agora a questão está em sair daqui ou em sair daqui sozinha?
- Não, imagina se tens outro ataq… se essa mania de perseguição te dá outra vez. – era melhor dizer a sua versão… - Aguenta um pouco, que eu vou só arrumar umas cenas e saio contigo.
- Mesmo? Não te quero incomodar. Podes ter algo para fazer até à hora que combinámos.
- Não. Não está ninguém em casa
– ficou tensa quando disse isso - por isso não há nada para fazer. E assim ajudo-te a fazeres as compras.
- Hmm, está bem então. Se insistes.
- Espera aqui, que volto já.
- Ok.
– deixei-a na sala, enquanto fui ao quarto acabar de me vestir e arrumar um pouco um quarto. Não cheguei a demorar 10 minutos. Quando voltei à sala, Nala permanecia de pé. Estava a olhar fixamente pela janela, meio que em transe. Algo se passou, isso o meu instinto dizia. Mas não a podia obrigar a dizer o que era. Com o tempo ela de certeza que acabava por falar.
- Bem, podemos ir.
Ela pareceu sair do transe, depois de ouvir a minha voz.
- Han? Ah, sim claro. Vamos.
– dirigiu-se ao sofá para pegar o casaco. Quando é que ela o tinha tirado? Bem, não interessa. – Tenho o carro estacionado em frente à tua porta.
- Ok. Então bora lá! ­
– caminhámos para a porta. Ela ainda estava em baixo, precisava de fazer alguma coisa para a animar. – Bem, espero que essas compras envolvam lojas de lingerie… - boa, ela riu-se.
- Infelizmente para ti, não preciso de ir a nenhuma loja de lingerie. Mas podemos passar pelas montras se quiseres.
- Oh, as montras não servem para grande coisa. Lá dentro sempre podia ver algo de interessante…
- Tarado!
– disse ao sair de dentro de casa.

- Um bocado.
– quando saímos de minha casa, reparei que ela tinha o carro em cima do passeio muito mal estacionado. Como se tivesse feito aquilo a correr… Era melhor não dizer nada.
- Às vezes não tenho paciência para estacionar correctamente. – explicou, como se tivesse lido os meus pensamentos. De vez em quando conseguia ser um pouco assustador a forma como Nala conseguia ler uma pessoa. Entrámos no carro e Nala conduziu em direcção ao centro comercial.

Passado hora e meia já estávamos em casa de Nala.
Ela mandou-me esperar na sala, enquanto cozinhava. Ainda não estava ninguém em casa, o que se reflectia no silêncio que se sentia. Estava a ver um documentário sobre os nazis, quando de repente ouço o som de panelas a bater no chão. Levantei-me e fui até à cozinha.
- Nala, está tu..
– tabuleiros e panelas estavam caídos no chão e a comida toda espalhada. Nala estava parada de joelhos. – Nala, estás bem? – ela olhou para mim. Esteve assim um bocado e depois voltou a olhar para o chão. Levantou-se.
- Estou óptima. Apenas sou uma grande desastrada… - dirigiu-se a uma porta, devia ser a despensa ou algo assim. Saiu de lá com uma vassoura e uma esfregona – Agora tenho de arrumar isto tudo e voltar a fazer o jantar. Nada de mais…
- Eu ajudo-te a limpar… Passa-me a esfregona.
– ela mandou-me a esfregona para as mãos.
- Tens um balde junto à porta no exterior. Eu vou varrer isto… - quando me virei para ir buscar o balde, senti um puxão no braço. Voltei-me de novo para Nala. – Por favor não comentes isto no jantar, nem o que se passou à bocado. – olhou-me muito seriamente.
- Claro, como quiseres.
– era estranho, se não era nada demais porque é que não quereria que a irmã soubesse? Que Nala era estranha já todos na escola tínhamos percebido, mas isto chegava a ser assustador.
- Obrigado.
– a expressão dela suavizou e voltou-se para a vassoura começando a limpar o chão. Dirige-me à porta para ir buscar o balde para lavar o chão. Limpámos tudo em meia hora. Nala mandou-me de volta para a sala, dizendo que o jantar para mim era surpresa e que o conseguia fazer sozinha. “Fora que só me ias atrapalhar e tenho meia hora para fazer tudo”. Christina e o marido chegavam por volta das nove e meia, depois de irem buscar a cachopada toda e Nala queria ter tudo pronto nessa altura. Sentei-me no sofá e comecei a fazer zapping com o comando da TV. Passados uns quantos minutos Nala apareceu vinda da cozinha.
- Está quase pronto. Agora é esperar que o casalinho chegue com as crias.
- tive de me rir com a forma como ela fala dos sobrinhos…
- Ok. Então senta-te um bocado aqui e descansa.
- A dar-me ordens… Mas quem é mais velho aqui han?
– disse sentando-se ao meu lado.
- Não reclames que sentaste-te.
- Não por que tu disseste mas porque quero ver a Buffy.
– tirou-me o comando das mãos e mudou de canal. E estava mesmo a começar Buffy. Sinceramente, não sabia como é que ela diz que não consegue ver filmes de terror, mas séries assim esquisitas já consegue. A mente dela é mesmo um enigma. Ainda o episódio ia a meio quando se houve barulho da porta da entrada.

- Leoa, chegámos!

- Aí vem a catástrofe. –
Nala sussurrou-me.
- Titi! Titi!
oh meu, onde me vim meter? Duas crianças vieram a correr até Nala e saltaram para cima dela.
- Então pequenos, como foi o vosso dia?
- Eu apendi fazer iões de papel…
- iões? Mas…
- Aviões Fred? – Nala perguntou. Ah assim fazia mais sentido.
- Sim, os grandes pássaros que andam no céu. Brrum. – e começou a andar em círculos.
- Eu fiz um ditado sem erros, tia.
-
Muito bem Jasmin. E digam-me estão com fome?
- Sim!
– gritaram os dois em uníssono. Meu, até coro faziam…
- Então vão para a cozinha e sentem-se, ok? Já vou por comida nos vossos pratos.

- Ok, tia! – disseram outra vez em conjunto. E desataram a correr para a cozinha. Nala começou a rir-se e ouvi duas gargalhas vindas do corredor.
- Hei, leoa. Já meteste as pestes sossegadas. Tens uma rapidez.
- Roger… -
 Kiki  apareceu por detrás de Roger.
- O que é? Ela faz algo em 5 minutos, que tu fazes em 10, mor.
- Roger! – e levou um estalo no ombro.
- Hei pombinhos. Não se chateiem. Também têm comida à vossa espera.
– e ficaram ambos bastante sorridentes.
- O que é que faríamos sem ti, leoa?
- Provavelmente morrias à fome, Roger.
– eu ri-me com Nala, Roger fazia um esforço para não rir, mas a irmã de Nala não tinha achado grande piada. - Estava a brincar, Kiki.
- Ah bom. Eu cozinho tão bem como tu. Contudo ele acabaria era por passar uns dias de fome…
- e aí riram-se todos.
- Bem, como o jantar está à espera. E também os canitos. Vou só passar às apresentações para irmos comer. Roger, Kiki este é o Jared. J, como deves ter reparado estes são a minha querida irmã, Christina e o meu querido cunhado, Roger.
- Prazer.
– disse aos dois.
- Leoa, em tão pouco tempo arranjaste logo um namorado…
- Roger, ele é um amigo.
- Estava a brincar, sê bem-vindo Jared.
– e deu-me um aperto de mão.
- Não ligues ao que o meu marido dizer, Jared. Ele é um pouco parvo. Muito prazer.
- Mas tu gostas, querida.
- Se não gostasse eras um divorciado com dois filhos, bebé.
- Que má!
– agarrou-a e deu-lhe um grande beijo.
- Hei coelhos! Estão a pôr o Jared desconfortável. Para a cozinha. Comer. – eles olharam-na. – Comida! Não um ao outro. – e começaram outra vez a rirem-se. – Anda J.Chegámos à cozinha, sentámo-nos e esperámos que Nala mete-se o jantar em cima da mesa.
- Tchana! Rolo de carne, especialidade da casa.
- Viva!
– disseram pais e filhos em uníssono. Até parecia planeado.
- Eles dizem sempre isto. Não ligues.- como eu digo, até parece que ela lê pensamentos. – Agora, para o Jared confirmar que eu não envenenei a comida, vocês 4 vão comer um bocado todos antes do J começar a comer. – eles concordaram. Meteram rolo para o prato e todos comeram um bocado. Esperámos um momento. – J, estás convencido que não meti veneno no rolo?

- Acho que sim.
- Então estás à vontade para comer.
– ela meteu-me um bocado no prato. Peguei no garfo e provei. Nala olhava-me em expectativa. Meu Deus! Fui ao céu e vim! Isto é delicioso. Crocante, doce, saboroso... Nem tenho palavras para definir.
- Isto é fantástico, Nala. Devias de ir para chef… É o melhor rolo de carne que comi até aos dias de hoje.
- Passei na prova?
- Passaste e com a nota máxima.
– todos se riram e continuámos a jantar. Conversando e comendo.
Fim do flashback


Foi uma noite boa. Fiquei a conhecer a família de Nala e eles aceitaram-me bem. Mais tarde Nala contou-me o que realmente se passou naquele dia antes do jantar. E estava muito longe do que poderia imaginar…
- Claro que é. Especialidades serão sempre especialidades. Só que já não está no topo da lista. Agora cala-te e prova. – Nala ficava sempre ansiosa pela crítica das pessoas ao seu trabalho. Fiz o mesmo que há 8 anos atrás. Peguei no garfo e provei. Gozando um pouco com a expectativa de Nala. Mastiguei, saboreei. Era realmente boa. Diferente de algo daqui. – Então? – fingi ponderar mais um pouco.
- Hmm… É – fiz uma careta, mas depois sorri – delicioso! Eu acho que devias ter ido para chef. Consegues cozinhar qualquer coisa…
- Não faz o meu estilo. Mas ainda bem que gostaste.
– sentou-se e começou a comer. Enquanto comíamos Nala dava papa a Andrew, o que tinha bastante piada quando ele se lambuzava todo… O jantar foi pacífico. No final, Nala levou o canito para cima e nós, restantes 4, fomos para a sala.
- Bem o que é que os meninos querem fazer? – Nala apareceu. Ninguém respondeu. – Bem, com tantas propostas dessas não sei se temos tempo para tudo. Assim vamos ver um filme. – os putos gritaram de alegria. – Que vai ser, deixem-me pensar, hmm… O Rei Leão 3. – e mostrou o dvd. Tive de me rir. Ela não deixava aqueles filmes por nada.
- E porquê o 3?- perguntei.
- Não me apetece chorar. Por isso vais ter de te aguentar com o Timom e o Pumba… 

- Acho que sobrevivo. – ela colocou o filme no leitor e veio sentar-se no sofá. Contudo as pestinhas sentaram-se no meio de nós. Desmancha-prazeres. Jared, controla-te.
Vimos o filme e só se ouviam gargalhadas. Aquele par era sempre uma comédia. Reparei que a Dawn foi a primeira a adormecer e depois John, só Anastacia é que ainda se mantinha acordada. Mas a muito esforço. Quando o filme acabou, Nala pegou Dawn ao colo e pediu-me para agarrar em John. Anastacia ainda ia pelos próprios pés. Chegámos ao quarto coloquei o puto na cama e Nala disse para ir andando para a sala. Foi o que fiz. Voltei a sentar-me no sofá. Passado um bocado Nala apareceu.
- Bem, como inicialmente éramos para ir ao cinema ver um filme de terror, pensei que podíamos ver um aqui. Não é uma estreia, mas nada como rever os antigos. – tirou um dvd de trás das costas Nosferatu.Fiz uma pausa, deixando-a na expectativa. - Parece-me bem.

- Então vamos lá. – colocou o dvd e sentou-se no sofá a meu lado.

You Found Me (eighth chapter)

Author: Vicky D. / Etiquetas:


Capítulo 8 – Outra forma de ver (Parte 1)


Capítulo anterior: Durante o almoço Kiki telefona a Nala para ela tomar conta das crianças. Para o encontro não ficar a meio e mudando os planos, Jared vai com Nala. Lá é deparado com uma verdade dita por uma criança. Como reagirá?
- Tens cara de drogado.
Fiquei estática à porta da sala. Vi várias emoções passarem pelo rosto de Jared: choque, tristeza, raiva, culpa e antes que lhe passasse pela cabeça estrangular o miúdo, resolvi agir.
- Johnny! – dirigi-me a eles – Isso não é algo que se diga! – por mais verdade que seja…
- Não tem mal Nala. Porque é que dizes isso John? – Jared ficou muito calmo e eu fiquei com cara de parva a olhar para ele.
- Bem – Johnny ficou envergonhado – o pai de um amigo meu no infantário tinha o mesmo tipo de cara que tu. Foi preso por ser drogado.
Como é que um miúdo de 6 anos percebia isto? Sempre é verdade quando dizem que as crianças entendem tudo…
- Johnny onde é que ouviste isso?
- Na escola. Quando ia para a casa de banho ouvi a professora a falar com a mãe do Peter. Estavam a dizer que seria melhor para ele não dizer que o pai está preso e que se metia na droga.
- Não disseste nada ao Peter, pois não? – fiquei preocupada, os cachopos contam tudo uns aos outros.
- Não. Como ouvi elas disserem que era melhor para ele não dizer, fingi que não ouvi. – ia para falar mas Jared interrompeu-me.
- Fizeste bem miúdo. Deixa ser a família dele a contar-lhe quando estiver preparada para isso. É sempre melhor ouvir as piores notícias das pessoas que mais gostamos e que mais nos ajudam, assim suportasse melhor a dor e todas as emoções negativas que antecedem isso… - ao dizer aquilo passou-lhe pelo rosto algo que não consegui identificar. – O melhor que tens a fazer é esqueceres isso puto.
- Pois… Finge que não ouviste nada Johnny, que não sabes de nada. E não vás por aí fora, dizer às pessoas como são as caras delas.
- Mas …
- Nem mas nem meio mas! Já pensaste que o Jared podia não reagir bem ao que disseste… Bem, agora vamos esquecer este assunto, espe… - não consegui acabar a frase. Jared sempre a interromper-me está-se a tornar um mau costume…
- Antes de esquecermos o assunto – fiz-lhe uma cara incógnita, o que é que ele queria dizer agora, ainda me assusta o miúdo – promete-me uma cena John.
- Hmm ok…
- Nunca te vás meter nessas porcarias, pode ser? Não te esqueces?
- Jared! Ele é um miúdo, daqui a uns tempos já se esqueceu desta conversa... – por amor de deus…
- Não há problema. Desde que ele me prometa agora, volto a falar com ele depois. Prometes puto?
- Claro. Eu vou ser um rapaz saudável, cheio de músculos tipo o Hulk!
Tive de me rir, é uma criança tudo que fizer, terá de ser como os super-heróis…
­­- Bem, como já finalizamos esta conversa e como eu estava a dizer - dei um ar de zangada a Jared – esperem aqui enquanto eu faço o jantar. Não te importas de fazer de babysitter dos gémeos?
- Claro que não… Pelo menos sou útil.
- Ok. A Anastacia não deve incomodar muito pois está a brincar com as bonecas – olhei para o canto da sala, ou melhor, o cantinho de brincar como eles lhe chamavam e lá estava a Anastacia com as suas barbies – o Johnny é mais complicado para se entreter, mas se te meteres a jogar na PS com ele acho que se aguenta até comer… - comecei a sair da sala – Ah, os jogos para ele estão com uma fita verde, porque o Fred tem uns violentos não apropriados para o John… Até já.

POV Jared
Auch. Esta conversa doeu. Não bastava ter a minha irmã a atirar-me sempre à cara o que aconteceu, ter perdido a única pessoa que me apoiava e ter de lutar para voltar a ganhar a confiança dela, ainda tenho crianças a atirarem-me à cara as consequências dos meus actos. Tudo pelo que passei ninguém devia passar. A parte da dependência era a parte mais fácil, menos dolorosa, mais fraca. Era cobardia. Fiquei tão furioso por voltar a ter que mudar de casa, por me afastar da Nala que não quis saber de nada, nem dela. Éramos tão felizes quando nos conhecemos. Parecíamos siameses, sempre juntos. Ela dava-me apoio, alegria, sabedoria. Não se importava quando eu tinha de estar junto de alguma namoradita, ajudou-me quando fiquei em baixo por ter sido traído, deu-me um raspanete quando me juntei a uns gajos para bater num pobre dum puto (um história engraçada até, mas digamos putos só sabem andar à luta). Era a rapariga que sempre estava ali, como uma sombra. Se eu tivesse compreendido o que sentia naquela época. Mas não. Mudei de casa e meti-me com as pessoas erradas. Pensava que estava feliz, pensava que estava apaixonado, pensava que viveria para sempre e pensava que a Nala estava sempre lá para quando precisasse de um ombro. Acabei por estar enganado em todos os termos. E agora sou enfrentado por uma criança de 6 anos, que até consegue ver que tipo de pessoa sou. Mas tenho de dizer o puto é tal e qual a tia, directo, um pouco mais educado, mas com a idade deixará de o ser.

Flashback
Mais um dia de aulas secantes… Quem inventou geografia, história e todas essas aulas que dão para tirar uma soneca devia de ser mais louco que eu. A aula mais interessante que tenho é Educação Física e talvez Ciências, mas talvez seja como a Nala diz: “És gajo, não entendes a essência das disciplinas, para vocês o interessante é mexer e praticar, se envolver usar o cérebro por muito tempo, cansam-se”. Por falar nela, tenho de ver se a encontro a seguir à aula. Trriimm! Deus é misericordioso! Nem dei pela aula passar…
- Quero que façam um trabalho sobre o efeito do crescimento populacional no futuro do planeta para a próxima aula. Como não fizeram mais nenhum, este valerá 15% da nota do Período, por isso quero bons trabalhos. – oh boa! Estou lixado! Tenho de pedir ajuda à Nala… preciso de uma boa nota nisto para passar. Se pudesse ressuscitava o inventor da geografia e matava-o eu mesmo. Que miséria!
Bem, onde é que andará a rapariga? Vamos começar pelo cacifo, depois logo se vê. Comecei a caminhar para lá, mas fui logo interrompido.
- Hei puto! – Olha o que me faltava neste momento…
- Nick… ­- Nicholas Walkins capitão da equipa de râguebi – o que queres?
- Que aceites a proposta…
- Ouve meu, já te disse uma vez, não estou interessado – dei-lhe um empurrão no ombro e comecei a andar pelo corredor em direcção ao cacifo de Nala…
­- Não te vais segurar muito tempo, a vontade de entrares para a equipa vai ser maior que a vontade de a protegeres… ­- ainda consegui ouvir o riso dele, mas continuei caminho. Cabrão de merda! A maior vontade que tenho agora é de te enviar para o hospital… grrr… acalma-te Jared. Daqui a pouco estarás à frente da Nala e se te vir perturbado, fará perguntas. 1, 2, 3, 4…. Inspira, expira… tenho de pedir mais formas de relaxamento a ela… e tal como pensei. Junto ao cacifo. Wow!
- Hei maninha!
- Oi! - pumb! Neste momento não queria estar no lugar dos manuais… a leoa está brava!
- O que se passou?
- Aquele estupor do stor de Cálculo! Só me dá vontade de esganá-lo… GRRRR!
- Bem, então não sei se será a melhor altura… mas precisava de te pedir um favor…
- Olhem, olhem! – oh não, mais uma para chatear, Nala revirou os olhos e fechou o cacifo ao ouvir aquela vozinha irritante…
- Oh por amor de Deus! - tive de me rir da cara que ela fez…
- Se não é a esquisitóide e o namoradinho! – é verdade que Nala era estranha, mas digamos a verdade, quem não é? Essa do namoradinho, foi a alcunha que me pôs depois de me começar a dar com Nala, acho que as meninas não gostaram muito foi de serem trocadas. Eu não me importo com o que me chamam, nem a Nala, por isso não ligamos. – Nala, querida, porque será que nunca te vi com um rapaz de jeito? Tipo, algum da equipa… - tive de me rir, se existe alguém que a Nala odeia são aqueles convencidos, meninos do papá, claro, que só a seguir à Gretchen… Gretchen Stenson ex- chefe de claque, se antes odiava a Nala por causa de mim, desde que foi expulsa da claque por causa de um documentário que ela fez sobre o liceu, e no qual aparecia a chefinha com dois gajos ao mesmo tempo debaixo das bancadas, que lhe ficou com um ódio tremendo… Sentimento mútuo entre as duas, depois da vingança de Gretchen (um dia destes ficam a saber que vingança). – Não que aqui o Jared – eww, odeio quando ela olha assim para mim, a despir-me com o olhar, tenho de me lavar depois! – com um pouco de ginásio, ou se entrasse para a equipa, não se aproveitasse, mas como te tem a ti como companhia é normal que seja franzino. Diz-me Jared… - porra, não gosto quando se dirige a mim directamente, ainda por cima aproximando-se. Porque é que a Nala ainda não falou? Sempre mudava o centro das atenções. – achas que a Nala te satisfaz o suficiente? Eu cá não acho, nem vocês meninas né? – as “cachorrinhas” concordaram com a dona, claro está. – Devias de andar com raparigas maduras, em todos os sentidos. Não com virgenzinhas de meia tigela! – aí está um bom ponto de discussão, porque não sabes da missa à metade (agora vocês perguntam-se qual missa? Isso não é uma história minha, nem bonita, por isso esperem que a Nala vos conte). Ia para responder à Gretchen fazendo uma cara de poucos amigos, mas não foi necessário.
­- Ouve lá sua vaca desmamada! Ser puta não anda a render? É preciso vires chatear-nos a nós também. Diz-me... Levaste os gajos todos que andas a foder à falência ou os serviços que lhes prestas já não os entusiasma e já não pagam? Ah, agora vais vender-te aos putos? Bem, eles vão ficar entusiasmadíssimos, para muitos será a sua primeira foda! Mas olha que não sei se os pais acharão muita piada… Podes ser acusada de violação. Ninguém quer isso… É um conselho de amiga. – e fez uma cara inocente. Grande Nala, final excelente. Ia para a apoiar, mas o que aconteceu a seguir nem deu tempo para reagir. Quando dou por mim estão as duas à porrada. Gretchen deu uma estalada a Nala, esta deu-lhe um murro. Uh, vai ficar negro. Gretchen começou a arranhar Nala na cara e a puxar-lhe os cabelos. Só que a minha maninha atirou-a ao chão e começaram a rebolar. Eu só assistia, as outras gajas davam gritinhos. Se eu podia separar as duas? Até podia, mas estava a divertir-me. O que posso dizer? Sou gajo, adoro ver lutas entre gajas.
- O QUE É QUE SE PASSA AQUI?! – ups. De repente, o pessoal todo que se reuniu a assistir ao wrestling, saiu a correr. Reitor Jenkins. Agachou-se e agarrou as gatas enfurecidas. Elas ainda se debatiam, para se atacarem uma à outra.
- Cabra!
- Puta!
- Vaca!
- Oh, querida! Isso não te adianta, já estou habituada a ser chamada de tudo. – pelos vistos a fúria da Nala já estava a passar, começou a acalmar, a não debater-se quer física quer verbalmente.
- Bem meninas. Seja o que for que tenham para resolver, não será nos meus corredores. Ambas ficarão duas horas depois das aulas a ajudar o Sr.Grant durante uma semana.
- O QUÊ?! – gritaram as duas ao mesmo tempo.
- Sr. Jenkins, eu não tenho culpa. A Nala atacou-me verbalmente enquanto eu estava a falar com o Jared, tive de me defender. Não posso ficar cá depois das aulas, tenho ensaio de Dança. Ela é que devia de ser suspensa. – Gretchen tentava dar a volta ao reitor.
- Sim, pois. E eu nasci ontem menina Stenson. Digam até logo uma à outra. Vão ter muito tempo para passarem juntas. E se por acaso vejo mais alguma vez este tipo de comportamento, serão suspensas mesmo. AMBAS! Agora desapareçam daqui. – soltou as duas, e Nala veio na minha direcção. – AH! Sr. Procter… Como excelente cavalheiro que é fará companhia às damas. – como?
- Mas…
­- Nada de mas. Ou acha que mesmo que por não estar inserido na acção, não faz parte do acontecimento? ­– bem, visto por esse ponto. Tenho de concordar.
­- Sim, senhor reitor.
- Muito bem. Agora dispersem! – deu meia volta e seguiu caminho – Ei! Tu aí? Nada de pastilhas nas paredes! – e o polícia continua a rusga.
- Estavas a divertir-te assim tanto? – Nala falou, mas não estava muito atento.
- Desculpa?
- O sexo masculino diverte-se e excitasse a ver gajas à luta ou lésbicas. Pergunto-me porque será?
- Queres mesmo saber?
- Naaa… Dispenso.
- Lembra-me para nunca te chatear ou dizer algo desagradável quando estás furiosa… Tens um bom gancho esquerdo! – ela riu-se. – O olho direito dela vai ficar bonito daqui a umas horinhas… - e fomos a rir até ao bar.
Fim do flashback

Se quiserem saber porque é que os homens adoram lutas de gajas e se excitam e fantasiam com lésbicas é perguntarem. Mas isso não é o que interessa aqui. O ponto é que nunca percebi o que Nala sentia. Não via o que se passava debaixo do nariz. Também eu era meio burro, um pouco para o parvo e ela escondia bem e camuflava tudo o que se passava dentro dela. Ela era difícil de se ler naquela altura e não deixou de ser agora. Quando a vi de novo no aeroporto, antes de ela me topar, não consegui notar se estava diferente ou não. O rosto dela era indecifrável, só quando os olhos dela se prenderam nos meus, é que mostraram algo. Choque. O primeiro sentimento que ela sente ao me ver depois de tanto tempo foi choque, como se eu tivesse voltado dos mortos. Aí pensei que realmente a tinha perdido. Passou por mim uma sensação de fugir. Desistir. Mesmo antes de começar. Mas eu precisava dela, sentia a sua falta. Então fiquei ali à espera. Vi a saudade que ela sentia da sua família, das crianças. E quando se voltou para mim vi fúria. Eu não merecia a passividade dela. Ela devia ser bruta comigo, por tudo o que lhe fiz. Mas não, a generosidade sempre foi um ponto forte dela. Quando me deu a oportunidade de a reconquistar senti-me tão alegre, tão aliviado, cheio de esperança. Como se o Sol brilhasse no fim de uma tempestade. E agora estou aqui. Na casa dela. Ela ainda me ama. Consigo ver isso. A tensão que se acumulou hoje, o quase beijo que demos, só me mostrou que o sentimento continua lá. Por mais que ela tente lutar, nunca deixou de me amar. O que só ajuda para a minha culpa. Devia de ter ido naquele dia à 6 anos dizer-lhe adeus. Mas fui fraco, continuo fraco. A reabilitação foi dolorosa, não recuperei totalmente. Mas estou-me a esforçar por isso. Por ela.
- Jared? – de repente acordei dos meus devaneios.
- Desculpa, puto.
- Estavas esquisito. A olhar fixamente a parede.
- Ah, não te preocupes. Bem vamos jogar?
- Boa!
- Vamos ver o que é que podes jogar? – fui até à prateleira dos jogos. Fita vermelha, vermelha, vermelha. Só vermelhas, minha nossa. Ah ah! Verdes! – Bem puto, o que queres jogar? Temos aqui Sonic, Dragonball, Pokemon…

You Found Me (seventh chapter)

Author: Vicky D. / Etiquetas:

Capítulo anterior: Na pequena caixa que Jared ofereceu a Nala estavam um medalhão e um alfinete em forma de tigres. Estes tigres trouxeram-lhe recordações antigas de tempos felizes de adolescente. Mas voltando ao presente, Nala decide ainda não ceder a Jared, desviando a atenção para o almoço, quando ocorre um clima estranho entre os dois.

Voltei-me para ele e reparei que estava um pouco embaraçado.

- Bem o que é que trouxeste para comer? Estou faminta!!! – e fiz-lhe o meu melhor sorriso, ao qual ele retribuiu com o meu sorriso torto.

Capítulo 7-Encontro

- Hmm. Se te sentares descobres… - dirigiu-se para a manta e sentou-se, puxando o cesto para junto dele. Segui-o e sentei-me também. – São para ti. – disse pegando no ramo de rosas vermelhas e oferecendo-me. – Pensei em comprar orquídeas, tal como o lírio, só que lembrei-me que talvez te chateasses um pouco, devido a estarem em vias de extinção e eu contribuir para esse facto.

- Fizeste muito bem. As rosas, apesar de comuns, são flores muito bonitas. E assim não contribuis para o impacto ambiental. – sorri, cheirando as rosas. – Posso ver o que trouxeste no cesto?

- Claro! É para comeres também…

Foi-me mostrando a comida que trouxe, sandes, empadas, carradas de coisas. O apetite dele não mudou em nada, o meu pelo contrário, mudou. Já não como tanto como comia há uns aninhos atrás. Começámos a comer em silêncio, mas a uma certa altura, o silêncio em vez de agradável tornou-se constrangedor. Decidi quebrá-lo com as típicas perguntas de chacha; como estava a família dele, se ainda tinha contacto com pessoal da escola, o que ele fazia agora.

- Bem, como podes imaginar, referir que estive na reabilitação não ajuda muito a conseguir um emprego… Então estou a trabalhar na empresa do meu pai, a fazer-lhe recadinhos. “Jared Procter fizeste a tua própria cama, agora deita-te nela… Se queres continuar a viver debaixo do meu tecto até arranjares casa própria, tens de trabalhar! Nem que seja a fazer de mocinho dos recados!” – disse aquilo imitando muito bem a voz do pai – Não conseguindo outro emprego, não tive outro remédio se não ir trabalhar para ele.

- Pois… É um pouco mau, mas tenho de dizer que concordo com ele. Se me tivesses ao menos contado o que se passava contigo, naquela época, hoje não precisavas de ser moço dos recados. – ri-me ao dizer aquilo –AHAH! Desculpa-me! Não consegui conter-me. Mocinho dos Recados!! Sempre te imaginei militar ou assim, mas isso nunca… - ele calou-se durante um bocado.

­- Deixando as minhas escolhas de parte. Como é que foi em Inglaterra?

- Foi espectacular! ­- contei-lhe sobre trabalhos que fiz, cenas que se passaram, falei-lhe da C e da Yo. Que saudades tinha delas, há um ano que não nos vemos como deve ser, com os estágios separámo-nos um pouco, e agora com o meu regresso aos EUA, ainda pior. Descrevi-lhe sítios por onde passei, o medo que senti ao andar na roda gigante. Parecíamos dois velhos amigos que já não se viam há algum tempo, em vez de dois ex-melhores amigos com complicações… Só não referi certas bebedeiras e Rick (um dia destes conto-vos uma história anterior a Rick, mas por agora não… E não vou revelar o meu passado após Jared, ao próprio). Continuei a falar de Oxford. – Agora estou à espera de respostas. A universidade mandou o currículo para vários lados. Antes de conseguir trabalhar sozinha, gostava de trabalhar com alguns realizadores. Especialmente, com o Burton ou o Spielberg. – comecei a imaginar-me ao lado de Tim Burton a realizar um dos seus filmes macabros – Mas é algo que não passa de um sonho…

- Eu não acho isso! Acho que um dia destes, um deles vai ver os teus trabalhos e chamar-te para dar dicas…

- Sim, sim. É isso e couves! Essas coisas só acontecem nos filmes, não na vida real…

- Estes últimos anos fizeram-te mais pessimista do que eras… Eras tão optimista, com sonhos e coisas muito pouco prováveis de acontecer, acreditavas em tudo…

- Isso era antigamente, aprendi muito ao longo destes anos. E uma das coisas que aprendi: é que não existem contos de fada. E para termos um pouco do queremos temos que lutar por isso. ­– esta conversa estava a deixar-me melancólica, por isso calei-me.

- Tens razão… - eu podia estar a ficar melancólica, mas ele de um momento para o outro ficou triste, abatido. E só aí, vi como as minhas palavras o atingiram “não existem contos de fada. E para termos um pouco do queremos temos que lutar por isso”, isto aplicava-se ao nosso caso. Para não estragar o resto do encontro, e porque ele antes estava a tentar animar-me, resolvi tentar animá-lo.

- Então, o que é que planeaste fazer a seguir ao almoço? Diz-me que não vamos ficar aqui sentados a olhar para o anteontem! Sabes que não consigo estar quieta por muito tempo…

Ele riu-se e eu sorri com isso.

­- Eu pensei em irmos dar um passeio. Caso não saibas ocorreram algumas mudanças na tua ausência. Depois de te mostrar as diferenças na cidade, podíamos ir ao cinema. Não sei os filmes que lá estão, mas é uma questão de escolher. E escusas de sentir-te mal por não escolhermos um de terror, não há problema. – olhou-me com expectativa, parecia uma criança à espera que a mãe lhe autorizasse a comer um doce. Fingi ponderar por um bocado. No final fiz uma careta de quem não gosta muito do que lhe foi proposto, só para o fazer sofrer um pouco. Isso mesmo fá-lo pensar que não é com a palavra cinema que te conquista! Obrigadinha, mas foi com essa palavra que eu decidi…

- Okei! Pode ser! Ainda só fui ao centro comercial desde que voltei, fazia-me bem voltar a passear pela cidade. E podemos ver um filme de terror não há problema…

- Boa! Mas… tu não gostavas de filmes de terror, pelo menos nunca te consegui a ver um…

- Como realizadora tive de aprender a gostar, para perceber o trabalho que se faz nesses filmes. E se eu estiver a apreciar a produção do filme, consigo aguentar vê-lo.

- Hmm… Tu vais dar uma excelente realizadora!

- Talvez! E até hei-de receber um Óscar…

- Claro!! Bem, vamos andando? – perguntou levantando-se e oferecendo a mão para me ajudar. Hesitantemente peguei-lhe na mão.

Ele puxou-me para cima e foi aí que me arrependi de usar saltos e de permitir que ele me ajudasse. Não que eu seja uma trapalhona a andar mas é que ao pôr-me de pé, tropecei e se o Jared não me agarrasse, caía. O que fez com que os nossos rostos ficassem a milímetros de distância e os nossos olhares fixos um no outro (típico de filme né?). Ele começou a desviar o olhar para os meus lábios, começando a inclinar-se. Não me mexi ao início, mesmo prevendo o que ia acontecer. Os lábios dele roçaram nos meus, depois beijou-os delicadamente. Era um beijo suave, só um contacto de lábios. Um beijo doce. Passou a língua pelo meu lábio inferior a pedir passagem. No momento em que lhe a ia ceder. A minha consciência falou. Rapariga, ao aprofundares esse beijo, daqui vão para uma cama! Queres isso? Isso é pergunta que se faça? Pois claro que quer! (peço desculpa, a minha consciência tirou folga, agora tenho o diabo vs anjo na minha cabeça) Quero, mas não posso! A muito custo afastei-me dele.

- Jared…

- Desculpa, tu disseste…

- Não há problema, mas vamos com calma ok? Entende que eu apenas não quero que ninguém saia magoado.

- Sim, tens razão. Desculpa-me…

- Tudo bem! Bem então por onde queres começar o passeio? – olhou para mim com uma cara incógnita.

- Ainda queres ir? ­– gajos, nunca percebem nada.

- Claro! Adoro passear! E não perco uma ida ao cinema! ­Vamos levar esta tralha para o meu bebé! ­– comecei a dobrar a toalha – Não sei se estás de carro, se tiveres podemos deixar no teu…

- Não, a minha irmã trouxe-me aqui. Trouxeste o Hummer? Há anos que não o vejo! Tens de me deixar da uma volta nele!

- Hmmm, não sei… Depois ainda acontece algum desastre ao meu bebé! Não sei, tu podes ser perigoso! – disse esta parte com um tom tão sério, que em vez de parecer que estava a gozar, estava a afirmar num tribunal. Ele olhou para mim com uma cara de “tu sabes que não!” e um pouco de desilusão. ­– Mas talvez um dia! Quando ele deixar de ser um bebé e for um velhinho… Mas mesmo assim… não sei! – aqui já se notou o meu tom de gozo. Mas por que raio a bocado saiu sério? Queres mesmo saber porquê? Pensa um pouco, que eu não te vou dizer! Eu acho que ela devia de saber. Vocês conseguem ser tão úteis… Acho que a consciência sozinha fazia melhor trabalho… (aposto que estão a pensar que sou doida, talvez seja, nunca se sabe). Não me interessa agora saber porquê, logo à noite vejo. Se não estiveres a fazer algo mais interessante. Ah cala-te!

- Desculpa? Eu nem falei…

- Ohh! Disse isto em voz alta? Desculpa. Estava a ter uma guerra dentro da cabeça, não ligues. Bem vamos lá deixar isto no jipe, para irmos passear.

Seguimos para o parque de estacionamento. Chegámos ao jipe e colocámos a tralha lá dentro.

- Ele parece novinho em folha!

- Se formos a ver eu não o usei muito. Durante dois anos depois de o receber, e até hoje o Roger só fazia lhe fazia a manutenção. É o meu bebé… A minha preciosidade…

- Pensei que a tua preciosidade fosse a câmara?!

- A câmara é o meu tesouro e a minha vida, o jipe é a minha preciosidade e o meu bebé. É diferente, talvez não percebas…

- Talvez não, talvez sim…

Não percebi aquela. E depois eu é que sou estranha…

­- Bem e por onde é que começamos?

- Pensei em começarmos pela biblioteca, já que é aqui perto, depois íamos a uma gelataria, passávamos por lojas, o museu e logo se via, até irmos ao edifício do cinema…

- Ok, por mim… Estou ansiosa para ver o que mudou nestes anos todos!

Seguimos para a biblioteca. O edifício tinha sido remodelado; antigamente notava-se que era tão velho como alguns dos livros que estavam lá dentro, agora apesar de o principal ter a mesma estrutura, tinha sido alargado de lado, pintado, até renovaram o jardim à volta. Não resisti em entrar e ver como ficou por dentro. Era enorme, a parte “velha” tinha a mesma a secção dos livros, tendo mais do que antes, depois havia uma ala para os dvds e cassetes, outra para a música e outra para os computadores. Havia umas escadas para o arquivo e para uma sala grande. Tinha também uma cafetaria e ao lado o elevador. Estava linda! Não era tão quente e acolhedora como antigamente, porque não tinha aquele ar antigo e pequeno. Mas era confortável. Renovei o meu cartão, visto que eles ainda tinham os meus dados. E ainda requisitei um livro de Shakespeare “Rei Lear”. Jared dava indicações e seguia-me só quando eu já me tinha ambientado. Da biblioteca seguimos para uma gelataria. Era uma nova, que estava na rua das lojas. Jared disse que a gelataria do Sr. Cane foi vendida quando este faleceu há três anos. Fiquei triste. Adorava o Sr. Cane e a sua gelataria, sempre que lá ia oferecia-me um segundo gelado para provar um novo sabor ou mesmo só quando eu passava à porta, ele chamava-me. Era um velhote simpático e engraçado. Comprámos um gelado para cada um e fomos vendo as montras. A loja de Antiguidades continuava no mesmo sítio, mas com algumas remodelações. Como Jared tinha dito, nova gerência. Estávamos a ver mais algumas montras quando os Muse começam a tocar no meu telemóvel. Tirei-o da mala e vi que a chamada era da Kiki.

- Kiki?

- Nala, desculpa-me mas é que preciso de ti!

- O que se pas…

- Andrew! Larga isso! Dawn isso é da tia! – nem consegui falar, estava uma algazarra do lado de lá da ligação. Só ouvia berros e acho que coisas a voar e partir. – Mãe, o Johnny não me dá a boneca! – era a voz da Anastacia­ – Johnny deixa a tua irmã em paz! Nala – mais gritos do lado de lá – A Kesha teve de ir ajudar a mãe e eu precisava de uma ajudinha aqui. Daqui a meia hora tenho de ir para uma reunião e não os posso deixar assim à vizinha, dava-lhe um ataque.

- Claro Kiki! Eu posso ir para aí!

- Oh, obrigada! Agora tenho de ir tirar o Johnny de cima do armário, pensa que é o Spider Man. Até Já!

- Até já Kiki! – mas já tinha desligado.

Olhei para o telemóvel mais uma vez. 6 filhos… Nunca na vida iria ter 6 cachopos. Talvez um e já é muito. Lá se vai uma ida ao cinema.

- Jared, desculpa mas podemos ir ao cinema noutra altura?

- Claro, temos tempo para isso… - tentou disfarçar a tristeza na voz mas não conseguiu. Fiquei com pena.

- Podes vir comigo. Não sei se te apetece aturar crianças, mas podemos fazer uma sessão de cinema, nem que seja infantil. – sorri e ele sorriu de volta.

- Claro, não há problema…

- E também podes jantar lá, se sobreviveres…

- Acho que sobrevivo, nem que seja só para te convencer a fazeres a tua especialidade a fim do meu bem-estar…

­- A minha especialidade? Bem, então vais ter mesmo de sobreviver porque já não é aquela a que estavas habituado…

- Deixaste-me curioso…

- Esperar para ver… Ou melhor, comer!

Voltámos para trás, para seguirmos para o jipe. Na viagem para a minha casa, instalou-se silêncio, era agradável, sem tensão pelo meio. Mas como não gosto de estar a ouvir os meus próprios pensamentos, liguei o rádio, ou melhor o CD que tinha lá posto. Para azar o meu estava a tocar a “Let´s Be in Love” dos Hands On Approach, uma banda portuguesa que conheci através do pessoal português em Oxford. E músicas românticas com o Jared ao pé, não são muito aconselháveis. Mudei para outro CD. Era preferível ir a ouvir rock, metal e disco, do que ficar um clima estranho no carro. Estacionei à entrada de casa e descarregámos a tralha do almoço. Quando abri a porta da entrada, fiquei estática. Parecia que tinha passado um furacão por dentro de casa. Brinquedos espalhados por todo o lado, almofadas destruídas, jarros partidos, tinta no chão e nas paredes…

- Kiki? – aquela casa estava um pandemónio, e nem sequer estavam lá a Jasmin e o Fred.

- Leoa! Ainda bem que chegaste! – Kiki apareceu vinda da cozinha com Andrew ao colo. Estava toda pintada e desalinhada – Tenho de me ir lavar e vestir. Toma conta deles, por favor! Se puderes vai arrumando a casa, senão não te preocupes… - entregou-me Andrew, olhou para Jared ­– Jared… Bem só tenho 15 minutos, até logo. – correu escadas a cima, para o quarto.

De repente, Johnny apareceu a correr da cozinha para a sala, com Anastacia atrás dele. Ainda não lhe devolveu a boneca.

­- Olá tia!

- Olá tia! Johnny, dá-me a Daisy! ­– e continuaram a correr um atrás do outro.

­- Bem, isto é uma diversão.

- Acredita, que nunca vi a casa neste estado…

A pequena Dawn apareceu vinda da sala, as esfregar os olhos. Andrew dormia nos meus braços.

- Quem és tu?

- É um amigo meu, Dawn. O Jared. Queres ir dormir?

- Hm hm. Mas os gémeos andam a brincar e eu não consigo dormir.

- A tia vai falar com eles. Mas antes vou deixar o Andrew no quarto e tu vais também para lá. Pode ser?

- Pode titi. – peguei-lhe na mão e virei-me para Jared.

- Sabes onde é a sala, senta-te que já volto. Até já.

Fui para cima e deitei os pequenos. No caminho para baixo, fui apanhando alguns dos brinquedos e objectos espalhados. Quando cheguei à sala, os gémeos estavam de volta de Jared.

- Posso te dizer uma coisa? – Johnny perguntou a Jared.

­- Claro puto.

- Tens cara de drogado.



You Found Me (sixth chapter)

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Capítulo 6 - Tigres

Capítulo anterior: Nala decidiu ir ter com Jared ao jardim. Pelo caminho relembrou-se da altura em que os dois andavam por aquele jardim. Quando lá chega segue as indicações que ele lhe deu, e vai seguindo pistas que ele deixou. Chegando ao sítio em que ele a espera, depara-se com uma surpresa. Um piquenique. Mas a surpresa não ficou por aí. Ele ofereceu um presente, uma caixinha com um conteúdo que a emocionou.

Primeiro fiquei a olhar para aquele pequeno objecto, e só passados uns segundos é que abri a caixinha. Fiquei abismada.

- Awww! Não acredito de que te lembraste! – uma lágrima veio-me ao canto do olho.

Não consegui conter aquela lágrima. E com ela caiu uma corrente.

Flashback

- Sorri! Estás a ser filmado!

- És de alguma seguradora? É que isso é aquele anúncio nas lojas a avisar que têm câmaras de segurança. – as aulas tinham acabado e eu e o J andávamos a passear. Eu de câmara na mão.

- Vá lá, anima-te! Passaste o dia com uma péssima cara… Não ligaste nenhuma às conversas do pessoal.

- Talvez… - alguma coisa se passava e ele não me contava. Só nos conhecíamos à um ano e eu já o conhecia como a palma da minha mão.

- E andas num dilema. Sei que me queres contar algo, mas que não sabes como. Já te conheço suficientemente bem. – aquilo entristecia-me, em certas alturas criavam-se muros entre nós - E também devias saber que me podes contar tudo. Para alguma coisa sirvo!

- Sim, eu sei!

- Então se sabes, pensa no que tens a dizer e depois conta! Agora quero-te animado! Se eu estou contente, tu também estás, lembras-te? – fiz o gesto com o dedo mindinho, para cruzarmos os dedos, algo que nos lembrava uma promessa que há uns tempos tínhamos feito (agora perguntam-se que promessa? Bem, essa história fica para outra altura) – E… Não quero que apareças de trombas num dos meus primeiros filmes.

- Ok, ok! – cruzou o dedo com o meu - Animação, a senhora quer, a senhora tem!

- Lindo menino! Agora vou focar a tua cara… ALEGRE, e depois vou fazer uma panorâmica daquele casal que está a discutir, tendo como plano de fundo a velhota a tentar atravessar a rua.

Com aquilo, ele deu um dos seus sorrisos. Foquei-o. E tal como disse, comecei a mover a câmara para o casal, apanhando a rua na perspectiva. Ao passar a Loja de Antiguidades, esqueci completamente o que ia fazer. Foquei a montra.

-AWWWWW!!! – depois do gritinho, desliguei a câmara e corri para a montra da loja.

- O que foi? – Jared correu atrás de mim - Assustaste-me quando ficaste tipo zombie e depois desataste a correr.

- Fiquei apaixonada! Olha-me para aquela beleza! – falei completamente hipnotizada.

- O quê? Vejo aqui muita coisa, mas nenhuma gaja! – disse ele no gozo.

- Não, seu totó! Até me admirava se o teu pensamento não fosse parar a mamas e cus. Vocês são todos iguais. E não sou lésbica para tua informação, caso tinhas esquecido a tua mana é uma gaja hetero. E estava a falar daquele conjunto de tigres.

- Tigres?! Estás a alucinar mana. Tigres só no zoo.

- Às vezes consegues ser mesmo burro. Se estou a olhar para uma loja, lógico que o tigre de certeza não é verdadeiro. Se prestasses mais atenção, verias que estou a falar do medalhão em forma de tigre e do alfinete de dama, ou lá como é que se chama o objecto, em forma de tigre, ambos verdes.

- AAAHH!

- Fez-se luz ao ceguinho! São tão lindos! Aposto que custam uma fortuna e não vou ter outro remédio se não apreciá-los daqui. – como eu gostava de ser milionária… É sempre isto que me acontece, vejo algo que adoro e depois custa um balúrdio. Jared olhava para os tigres de uma forma pensativa.

- Porque é que dizes isso? – perguntou desviando o olhar na minha direcção.

- Porque, primeiro estão numa loja de antiguidades, segundo se não me engano pelo que consigo ver ou são feitos de esmeralda ou então outro tipo de pedra caro.

- Pois. Porque é que não entras e perguntas o preço? – ah, que este gajo não pensa.

- Para me dar um ataque cardíaco e depois entrar em depressão por não ser rica o suficiente? Acho que não. Esquece. É melhor sairmos daqui. – era uma certeza que por uns dias, iria ficava deprimida e a sonhar com aqueles tigres (caso não tenham já reparado, amo tigres!). Aquelas esmeraldas brilhantes a olhar para mim. Já me imagino com o medalhão numa corrente de ouro pendurada no meu pescoço, a frieza da pedra a tocar na minha pele quente…

- Nala!! Estás a ter algum sonho erótico?

- Han? Um sonho erótico? Não estou a ter nenhum sonho erótico pah! Deixa de ser cromo…

- É que estavas com cara de quem estava à beira de um orgasmo…

- Não, estava só a imaginar algo pouco provável de acontecer… - mas tive de lhe dar razão, quando me vi no vidro da montra – Como estava a dizer é melhor irmos.

- Tens a certeza que não queres entrar? Talvez não sejam assim tão caros.

- Vamos embora! – prefiro ficar na ignorância e usar a imaginação.

Ele lá desistiu de me tentar convencer e seguimos para a minha casa. Eu sugeri que fossemos para casa dele, porque tinha a cachopada lá em casa. Mas ele preferiu que fossemos para a minha e isso estava a camuflar aquilo que ele tinha para contar. De certeza.

Fim do Flashback

Foi nessa noite que ele contou que ia mudar de casa. E mudou passados dois dias. A história dos tigres ficou esquecida, tal como muitas outras. Sempre que passava sozinha por aquela loja, apressava passo, pois as lembranças retornavam; em dias que ele vinha de visita e passávamos ali, simplesmente passávamos, o assunto tinha morrido. E passado uns tempos, a nossa ligação também.

Mas naquele momento, dentro de uma caixinha pequenina, cobertos por algodão, num brilhante verde-esmeralda, de esmeralda mesmo, estavam um medalhão e um alfinete em forma de tigres. Algo que amei desde que lhe pus o olhar em cima e que nunca me saiu da cabeça. Mesmo passando 7 anos. Peguei no medalhão e levantei-o à altura dos olhos fazendo o tigre cintilar com a luz do Sol. LINDO!

- Como é que te lembraste? Desde aquele dia nunca mais tocamos no assunto. – quando voltei o olhar para ele, o seu sorriso torto estava estampado no rosto. Mas quando começou a falar notei uma certa tristeza nos olhos.

- Aquele dia ficou sempre na minha memória. Andei o dia todo a tentar arranjar a melhor forma de te dizer que ia embora. Durante as aulas não te contei, porque sabia que depois não te ias concentrar. Ia-te para te contar no caminho, mas ias tão contente a filmar tudo o que se passava e depois viste a montra e os teus olhos reluziam, não consegui estragar o momento. Tentei convencer-te a entrar e qual fosse o preço, eu ajudava-te a pagar, mas foste mais teimosa que eu. Depois decidi contar-te em tua casa. Prefiro que fossemos para tua casa, porque na minha já andavam lá as mudanças. Mas também não te consegui contar nessa altura, por causa dos teus sobrinhos, estavas tão feliz com eles. Não tive outra hipótese se não contar à noite por mensagem, tinha de dar a notícia nesse dia. Se te dissesse no outro dia, que me ia embora no dia seguinte, sabia que ias ficar destroçada. Lá no fundo soube que mesmo assim ficaste em baixo. Sempre foste um pouco transparente, pelo menos para as pessoas que te conhecem suficientemente. – ele explicava aquilo como se nunca tivéssemos deixado de nos falar, dois amigos que apenas se afastaram. Mas ao contrário do que as palavras exprimiam, o olhar transmitia tristeza e culpa.

- Eu pensava mesmo que a história dos tigres tivesse morrido. Sempre que lá passávamos era como se não existissem. Nem sei se continuaram a estar expostos. Como é que os arranjaste passados 7 anos?

- Por pura sorte... Eu queria ajudar-te a comprá-los, mas não fiz por isso. Como nunca mais os pronunciaste, não quis tocar no assunto. Mas quando me deixaste de falar um ano depois de teres partido, vi que algo estava errado, como já te disse… Fui para a reabilitação no terceiro ano da tua ausência e estive lá dois anos. Quando saí uma das lembranças que me ocorreram foi a dos tigres. Então fui à loja. A gerência era outra, mas pelos arquivos contaram-me que eram dois conjuntos. Um venderam-no logo na altura, o outro, para sorte a minha, ficou armazenado. O homenzinho fez-me um desconto e vendeu-me os tigres por um preço muito mais baixo que na altura em que os viste. E aqui estão! – quando acabou de falar esboçou um grande sorriso – Gostaste?

- Bem… Adorei, claro!! Eles nunca me saíram da memória. Obrigada! – e inclinei-me para lhe dar um beijo na bochecha, segurando-lhe o rosto com uma mão, pois ele podia fazer-se de espertinho. – Mas continuo com a minha ideia de que isto deve ter custado uma pequena fortuna! – passei a mão pela cara, para enxugar as lágrimas que ainda teimavam em correr.

- Não me deixou pobre. Não te importas de ficar na ignorância relativamente ao custo, pois não? Foram um presente e por norma não deves saber quanto custou o presente à pessoa que te ofereceu.

- Ok, não me importo. Segura! – entreguei-lhe a caixinha e pousei a minha mala no chão, recebendo um ar incógnito dele. Tirei o fio de ouro que sempre usava ao pescoço e deixei deslizar até à palma da mão as duas medalhas que lá estavam. Removi a carteira da mala e guardei as medalhas numa das divisões. Voltei a pegar na caixa, peguei no medalhão e fi-lo deslizar pelo fio. Coloquei-o à volta do pescoço e virei-me de costas para Jared. – Ajuda-me aí! – disse agarrando no cabelo.

- Han? Ah sim! – agarrou no fio e fechou-o. No final, repousou as mãos nos meus ombros. Deixamo-nos ficar assim por uns momentos. Mas quando percebi que as suas mãos já estavam a descer pelos meus braços, dei um passo em frente para me afastar dele. Não podia ceder agora. E não ia ceder só porque ele se lembrou de algo que eu desejava. Oh o rapaz foi querido, devias ceder um bocadinho. Não! Ela deve é continuar a afastá-lo para lhe dar na cabeça! Anjo Vs Diabo! Uma batalha constante na minha cabeça… Voltei-me para ele e reparei que estava um pouco embaraçado.

- Bem o que é que trouxeste para comer? Estou faminta!!! – e fiz-lhe o meu melhor sorriso, ao qual ele retribui com o meu sorriso torto.


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